Compras e vendas recuam em janeiro na comparação anual, estoques seguem elevados e importações continuam sendo o principal desafio do setor, segundo o Inda.
O mercado brasileiro de distribuição de aço inicia 2026 em ritmo mais fraco, com queda nas compras, vendas abaixo das registradas no ano passado e estoques elevados. O cenário leva o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, a prever uma “batalha” dos distribuidores para alcançar o crescimento previsto para este ano, de 1,5%. Para Loureiro, as importações seguem como o maior problema do setor.
Conforme dados do Inda, em janeiro, 225,6 mil toneladas de produtos siderúrgicos entraram no Brasil, volume 6,6% inferior ao registrado um ano antes, mas ainda expressivo. Na comparação com dezembro, as importações tiveram alta de 9,7%. Em relação a 2024, 2025 registrou alta de 24%. A tendência agora, no entanto, é de redução das importações.
O presidente do Inda pondera que a retirada da China de alguns segmentos, após a aplicação de medidas antidumping, deve reduzir gradativamente as importações. O anúncio de que o governo federal está analisando novos produtos também contribuirá para a redução do volume total importado, ainda que as importações não sejam extintas.
“A grande maioria da importação desses produtos é de origem chinesa, mas, mesmo ela estando fora desses mercados atingidos, outros países, como a Coreia do Sul e o Egito, devem encontrar espaço. A importação não vai zerar”, analisa Loureiro.
As medidas antidumping já estão em vigor para alguns produtos chineses, mas outros podem ser incluídos em eventual decisão no fim deste ano. Apenas o anúncio das possíveis medidas já causou impacto nos preços de alguns produtos.
Na avaliação do presidente do Inda, parte do volume antes suprido pela China poderá ser absorvida pela indústria nacional, especialmente no galvanizado comum, em que até 60% do que era importado poderia ser substituído por produção local.
No galvalume, porém, a capacidade instalada das usinas brasileiras ainda é insuficiente para atender a toda a demanda, estimada em cerca de 80 mil toneladas mensais, o que deve manter espaço para importações.
Questionado sobre a possibilidade de triangulação de aço chinês via Vietnã e Coreia do Sul, Loureiro reconhece que o risco existe, mas ressalta que a operação encarece o produto: “O governo está atento a esses detalhes. Agora, se vai ser suficiente, só o tempo dirá.”
Em relação ao preço do produto no mercado interno, Loureiro acredita que as usinas devem aumentá-lo em torno de 10%. “Elas estão desesperadas. Estão precisando realmente de um certo ajuste”, afirma. No entanto, o que ainda sustenta o mercado é a volatilidade da moeda norte-americana. “O dólar está caindo muito, e isso ajuda a estimular a importação de terceiros que não têm preços tão baixos quanto a China”, completa.
Compras e vendas em ritmo mais lento
Nesse cenário, as compras dos distribuidores do Inda caíram 2,3% em janeiro, na comparação com dezembro. Em relação a janeiro de 2025, a retração foi ainda mais expressiva: 14,8%, passando de 341,9 mil toneladas para 291,3 mil toneladas.
As vendas somaram 293,9 mil toneladas, alta de 18% sobre dezembro, mas queda de 8,2% frente a janeiro do ano passado. “Já começamos o ano com um número um pouco baixo em relação a janeiro do ano passado. Vamos ter que brigar muito para chegar ao nosso crescimento projetado”, diz Loureiro.
A previsão do Inda para fevereiro indica nova retração de 4% sobre janeiro. Se confirmada, o primeiro bimestre fechará com queda de 10,3% ante o mesmo período de 2025.
Mesmo com queda nas compras e alta nas vendas, o estoque, que estava alto no mês anterior, recuou apenas 2 mil toneladas, permanecendo no nível de 3,8 meses de cobertura, o que Loureiro considera elevado para janeiro.












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