Atormentado, J. G. R. disse furtou corpo da ex por amor.

Depoimento de ex-PM que furtou corpo é confuso e contraditório, diz delegada

O primeiro depoimento do ex-PM J. G. R. de 57 anos, suspeito de furtar o cadáver da ex- namorada Rosilei Potronieli, 37anos, foi marcado por contradições. Ele foi ouvido na tarde de quarta-feira (20) no Centro de Triagem em Campo Grande e resumiu que furtou o corpo por amor.

Conforme a delegada de Dois Irmãos do Buriti, Nelly Gomes, José estava aparentemente muito atormentado. Ele ficava alternando momentos de lucides. “Ele disse que ouvia vozes que falava para ele praticar o crime e depois ouviu a voz da Rosilei dizendo que não queria ficar enterrada na cidade”, detalha.

A todo momento ele se contradizia, primeiro para se livrar havia informado que a ideia do furto do cadáver foi do primo e que ele teria ficado dentro do carro, mas depois detalhou como o furto ocorreu. “Como ele soube detalhar o exato momento do furto se estava dentro do carro?”, questiona a delegada.

Em outro momento ele também inventou uma terceira pessoa que teria participado do crime, esta seria um andarilho, mas também não soube informar se era “real” essa pessoa.

Nelly disse que o ex-PM chorou muito durante o depoimento e estava muito emocionado. “Ele disse que fez isso por amor. Disse também que os familiares dela não sofreram porque não gostavam dela. Só ele a amava, só ele se importava, então furtou o corpo para ficar perto dele”, conta.

Em relação aos outros registros feitos pela vítima contra ele, ele afirma que ela gostava de ‘provocar’ ele.

Quanto a doença relatava pela defesa dele, a delegada disse que não foi informada de nada. “A defesa não me entregou nenhum laudo ainda, mas o fato de ele ser esquizofrênico não prova que ele não tinha consciência do que estava fazendo. Tem que ser periciado e comprovado que no momento da conduta ele não tinha discernimento”, conta Nelly.

O próximo passo agora, segundo a delegada é ouvir as filhas de José. Ambas moram com ele na chácara e estavam no local no momento em que o corpo foi enterrado.