Petista virou réu na Lava Jato, foi acusado de receber mais de R$ 1 milhão em supostas vantagens indevidas e acabou absolvido por unanimidade pelo STF por falta de provas suficientes. Agora, chega à disputa pelo Senado declarando patrimônio milionário.

Conheça o candidato ao Senado Vander Loubet que foi denunciado por desvios na BR Distribuidora e declarou bens de R$ 4 milhões em 2026
Petista virou réu na Lava Jato, foi acusado de receber mais de R$ 1 milhão em supostas vantagens indevidas e acabou absolvido por unanimidade pelo STF por falta de provas suficientes. / Foto: Ilustração/IA

O eleitor de Mato Grosso do Sul que pretende escolher Vander Loubet para uma vaga no Senado em 2026 talvez precise conhecer alguns capítulos menos confortáveis da trajetória do histórico deputado petista.

Vander, que está na Câmara dos Deputados desde 2003, já foi alvo de uma das principais operações de combate à corrupção do país. O parlamentar foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Lava Jato em investigação envolvendo supostos desvios na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras.

Segundo a denúncia, entre 2012 e 2014, Vander teria solicitado e recebido, por intermédio de pessoas próximas, pelo menos R$ 1,028 milhão provenientes de operações relacionadas à BR Distribuidora. A acusação envolvia corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A acusação não era exatamente uma fofoca de corredor. Em março de 2017, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal recebeu a denúncia e Vander passou à condição de réu. Meses depois, o próprio STF rejeitou os embargos apresentados pela defesa contra a decisão que havia recebido a denúncia.

Mas Vander foi absolvido. E por quê?

Aqui começa a parte que exige mais cuidado.

Em 2020, a Segunda Turma do STF absolveu Vander Loubet por unanimidade. O tribunal concluiu que a Procuradoria-Geral da República não conseguiu comprovar, com o nível de certeza necessário para uma condenação criminal, que o deputado havia recebido as vantagens indevidas apontadas na denúncia.

O detalhe curioso é que a própria decisão registra que havia elementos capazes de demonstrar a influência política exercida por integrantes do PT sobre diretorias da BR Distribuidora. O problema, segundo o relator, ministro Edson Fachin, foi outro: não havia prova suficiente para afirmar que Vander efetivamente recebeu as vantagens indevidas.

Um dos pontos citados no processo envolve o depoimento de Rafael Ângulo Lopez, apontado como transportador de valores ligados ao doleiro Alberto Youssef. Ele confirmou ter ido duas ou três vezes a Campo Grande para entregar dinheiro supostamente destinado a Vander, mas não conseguiu identificar quem recebeu os valores. O STF considerou que, sem outros elementos que comprovassem o destino do dinheiro, não era possível condenar o deputado.

Ou seja, Vander foi absolvido e não pode ser apresentado como condenado por corrupção ou lavagem de dinheiro nesse processo.

Mas o episódio continua fazendo parte da história política do candidato.

Do réu da Lava Jato aos R$ 4 milhões

Agora, em 2026, Vander volta ao centro do cenário político estadual como candidato ao Senado e declarou à Justiça Eleitoral aproximadamente R$ 4 milhões em patrimônio.

A declaração chama atenção quando colocada ao lado de seus registros patrimoniais anteriores.

Em 2006, Vander havia declarado R$ 681.509,94 em bens. Entre os itens estavam imóveis, veículos, aplicações financeiras, uma lancha, motor de popa e mais de R$ 211 mil declarados como dinheiro em caixa.

A comparação com 2002 também é significativa. Levantamento publicado na época apontou que Vander havia declarado aproximadamente R$ 2,3 mil naquele ano, enquanto sua declaração de 2014 já chegava a cerca de R$ 1,1 milhão em valores atualizados. Na época, o deputado afirmou que a comparação patrimonial não levava em consideração ônus e dívidas informados à Receita Federal e que a evolução era compatível com sua renda.

O eleitor pode perguntar

A absolvição pelo STF encerrou o processo criminal da Lava Jato, e não há decisão judicial autorizando afirmar que Vander tenha praticado os crimes pelos quais foi acusado.

Mas uma campanha eleitoral também é momento de fazer perguntas.

Como evoluiu o patrimônio de Vander desde que entrou na política?

Quais bens foram adquiridos ao longo das décadas?

Quanto do patrimônio atual veio de imóveis, investimentos e rendimentos?

E como se explica a trajetória patrimonial de um político que declarou cerca de R$ 2,3 mil em bens em 2002, mais de R$ 681 mil em 2006 e agora chega a aproximadamente R$ 4 milhões?

São perguntas que podem ser respondidas pelos próprios documentos apresentados à Justiça Eleitoral.

No caso da Lava Jato, a pergunta também permanece no campo histórico: o STF entendeu que as provas não eram suficientes para condenar Vander. Isso não apaga que ele foi denunciado, tornou-se réu e enfrentou uma ação penal por acusações graves.

Agora, quase uma década depois, o mesmo político volta às urnas, desta vez pedindo ao eleitor uma vaga no Senado Federal.

E chega à disputa com uma longa carreira política, um passado marcado por uma denúncia de grande repercussão nacional e um patrimônio declarado de aproximadamente R$ 4 milhões.