Os cenários devem ficar mais claros após 25 de outubro.
A valorização do real pode pressionar a rentabilidade das lavouras na safra 2026/2027, mas também favorecer a redução dos custos de produção no ciclo seguinte. A avaliação é de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, em análise sobre os possíveis efeitos das eleições de 2026.
Segundo Cogo, os cenários devem ficar mais claros após 25 de outubro. Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, a projeção do dólar médio para 2027 passaria de R$ 5,30 para uma faixa entre R$ 4,90 e R$ 5,10.
Conforme o levantamento, apenas 29% da soja 2026/2027 e 12% do milho segunda safra de 2027 estavam com preços fixados antes da eleição. Com isso, 71% da soja e 88% do milho permaneciam expostos ao câmbio. Cogo estima uma possível redução de 2,7% a 5,4% na receita total da soja e de 3,3% a 6,6% na do milho.
Nas simulações da consultoria para Mato Grosso, com dólar a R$ 5,00, a margem líquida da soja cairia de 14,3% para 9,1%, enquanto a do milho recuaria de 20,3% para 15,5%. Para 2027/2028, porém, Cogo projeta redução de 0,8% a 4,7% na parcela dolarizada dos custos, caso o câmbio permaneça nesse patamar. Segundo o especialista, fertilizantes, defensivos e máquinas poderiam ficar mais baratos, enquanto uma eventual queda dos juros favoreceria investimentos.
“Essa assimetria será uma das variáveis mais importantes para o planejamento das propriedades nos próximos meses. O produtor precisa olhar menos para o câmbio isoladamente e mais para a combinação entre percentual comercializado, preços internacionais, câmbio, custos futuros e margem”, conclui.







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