Relatórios da Agereg apontaram que concessionária perde receita por afugentar usuários e ameaça serviço com finanças em desordem

Com repasses de R$ 70 milhões, Consórcio Guaicurus estaria à beira da falência

Nem mesmo uma receita bilionária e tendo acesso a uma série de benefícios públicos livrou o Consórcio Guaicurus de uma crise que pode levar à falência. É o que aponta o procedimento administrativo prévio à intervenção, ao qual o Jornal Midiamax obteve acesso em primeira mão.

 
 

Apuração da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) constatou que a concessionária que opera o sistema de transporte coletivo de Campo Grande obteve lucro até 2019 e entrou em um ciclo de perdas desde então, coincidindo com a pandemia de Covid-19.

Nessa esteira, o endividamento subiu e começou uma dependência de terceiros. É em 2023 que a prefeitura teve que socorrer o Consórcio, passando a fazer repasses financeiros e isenções tributárias para manter o serviço.

 
 

Entre os diversos processos em que os empresários dos ônibus entraram para pedir mais dinheiro público, uma perícia técnica apontou que houve receita líquida de R$ 1,8 bilhão de 2013 a dezembro de 2024. Ou seja, enquanto alegam dificuldades e demonstram ponto de insolvência, acumulam lucro bilionário. Em 2026, a concessionária deve receber da prefeitura mais de R$ 70 milhões.

Nesse procedimento administrativo, a prefeitura já avaliou uma situação que é senso comum para a população. A má qualidade do serviço prestado pelo Consórcio tem afugentado os usuários e, consequentemente, a receita oriunda da tarifa do transporte público.