O excesso de chuva nas lavouras de feijão da primeira safra do Paraná preocupa produtores e pode reduzir a produtividade e a oferta do grão.
O excesso de chuva nas lavouras de feijão da primeira safra do Paraná preocupa produtores e pode reduzir a produtividade e a oferta do grão. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), nesta quinta-feira (5), o plantio deve ser concluído ainda neste mês, mas as precipitações intensas já afetam o desenvolvimento das plantas e elevam os riscos para a produção.
A situação é mais preocupante na região Sul, responsável pela maior parte da produção estadual nesta temporada. Ao mesmo tempo, a redução da área cultivada e a valorização do produto reforçam as preocupações com a disponibilidade de feijão no mercado.
A primeira safra de feijão, também conhecida como safra das águas, tem o plantio associado à intensificação das chuvas durante a primavera. Neste ciclo, porém, o aumento dos volumes de precipitação, relacionado à formação de um El Niño de forte intensidade e às mudanças climáticas, tem dificultado o desenvolvimento das lavouras.
A região Sul deve concentrar 80% da produção paranaense da primeira safra. Nessa área, diversas estações meteorológicas registraram acumulados superiores a 700 milímetros de chuva, aproximadamente o dobro do volume esperado para o período. O excesso de umidade pode comprometer a produtividade, principalmente porque mais de 10% da área cultivada já está em estágios reprodutivos. Como o ciclo do feijão é curto, as plantas têm pouco tempo para se recuperar das condições adversas.
Segundo o Deral, o desenvolvimento das lavouras tem sido limitado pela baixa incidência de radiação solar, pela lixiviação de nutrientes e pelo favorecimento de doenças, além da dificuldade de realizar o controle fitossanitário. Até o momento, 85% das lavouras estão classificadas como boas. Apesar de o percentual ser considerado razoável, a avaliação pode piorar diante das previsões meteorológicas para o curto e médio prazos.
Além das condições climáticas, a diminuição da área plantada contribui para um cenário de menor disponibilidade de feijão no Paraná. A estimativa do Deral para a primeira safra aponta redução de 16% na área cultivada. A combinação entre menor área e riscos à produtividade tem influenciado as expectativas do mercado, que já considera a possibilidade de escassez do produto.
O cenário mantém a atenção sobre o desempenho das lavouras nas próximas semanas. A evolução das condições meteorológicas será importante para determinar a extensão dos impactos sobre a produção estadual.
A perspectiva de oferta mais restrita já aparece nas cotações. Em outubro, os preços do feijão preto aumentaram 13% em relação a setembro, enquanto o feijão carioca registrou alta de 5%, segundo dados divulgados pelo Deral. No acumulado de 12 meses, a valorização chegou a 74% para o feijão preto e a 57% para o carioca.
Os preços no varejo também avançaram no mesmo intervalo, embora em menor intensidade. O feijão preto ficou 41% mais caro, enquanto o carioca apresentou aumento de 30%. Com a redução da área cultivada e os riscos climáticos sobre a produtividade, o mercado acompanha a evolução da primeira safra paranaense. A intensidade das perdas, caso se confirmem, poderá influenciar a disponibilidade do grão e o comportamento dos preços.














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