Ele também tentou matar uma amiga da jovem, que precisou se fingir de morta para tentar escapar.

Caseiro que matou garota de programa é condenado a 35 anos em São Gabriel do Oeste
/ Foto: Redes Sociais

O campeiro Elísio Ferreira de Andrade, atualmente com 63 anos, foi condenado a 35 anos, 11 meses e 15 dias de prisão por matar uma jovem de 22 anos e tentar assassinar outra mulher, em São Gabriel do Oeste. O julgamento foi realizado na sexta-feira (27), e a condenação foi obtida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

A vítima fatal foi identificada como Jennifer Gimenes Monserroti, que foi morta a tiros em 23 de junho de 2024, em uma fazenda do município. Segundo as investigações, ela foi atingida na nuca enquanto tentava fugir e morreu no local.

De acordo com a denúncia do promotor Daniel Higa de Oliveira, o autor do crime era funcionário e morador da propriedade rural onde o caso aconteceu.

As apurações indicam que o homem havia contratado duas garotas de programa e, durante o encontro, houve uma discussão. Uma das linhas investigativas aponta que o desentendimento teria sido motivado pela cobrança de pensão por parte da sobrevivente, que tem uma filha com o acusado.

Durante a confusão, a mulher de 27 anos entrou em luta corporal com o agressor, que estava armado com uma espingarda calibre .22. Ela foi baleada, agredida e chegou a sofrer tentativa de estrangulamento, mas conseguiu sobreviver ao se fingir de morta.

Na sequência, o acusado perseguiu Jennifer e efetuou vários disparos. Após o crime, ele colocou o corpo da jovem em uma carriola e o levou até uma área de mata próxima a uma cachoeira, onde tentou ocultá-lo.

Ainda segundo a investigação, o homem tentou dificultar o trabalho da polícia: lavou o local do crime, desligou câmeras de segurança e escondeu objetos das vítimas em meio a entulhos. A arma usada, uma espingarda com munições e luneta, foi encontrada dentro do guarda-roupa dele. Os celulares das vítimas também estavam em posse do autor.

A sobrevivente foi socorrida em estado grave e encaminhada para a Santa Casa de Campo Grande, com ferimento de arma de fogo, sinais de estrangulamento, hematomas e cortes pelo corpo.

Após o crime, o homem chegou a ligar para o genro confessando o assassinato. Ele fugiu e tentou se esconder em outra propriedade rural, a cerca de 50 quilômetros do local, mas foi localizado e preso em flagrante pela polícia na madrugada do dia seguinte.

Durante o julgamento, a promotora Isabelle Albuquerque dos Santos Rizzo sustentou que o réu agiu com crueldade e utilizou recursos que dificultaram a defesa das vítimas, além de cometer o crime por razões ligadas à condição de sexo feminino.

A sentença foi proferida pela juíza Samantha Ferreira Barione, que determinou o cumprimento da pena em regime inicialmente fechado. A condenação inclui 19 anos e 10 meses por homicídio qualificado, 15 anos, 1 mês e 15 dias por tentativa de feminicídio e 1 ano e 10 dias-multa por ocultação de cadáver.

Além da pena de prisão, a Justiça fixou indenização de R$ 50 mil para a vítima sobrevivente e R$ 50 mil para cada familiar da vítima que morreu.

O réu teve a prisão mantida e deve começar a cumprir a pena imediatamente.