Autoridades do país vizinho investigam se produto, vindo de Miami, seria trazido ao Brasil pela fronteira com Mato Grosso do Sul

Carregamento milionário de maconha líquida é interceptado pela Bolívia
/ Foto: Autoridades bolivianas encontraram a droga em frascos escondidos em máquinas de sorvete e investigam se ela viria para o Brasil - Divulgação

Avaliado em mais de R$ 3,6 milhões, um carregamento de maconha líquida, que pode apresentar alta concentração de THC para intensificar o efeito psicoativo, foi interceptado pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (Felcn) da Bolívia.

A droga veio de Miami (EUA) escondida em máquinas de sorvete e equipamentos eletrônicos e havia chegado a Santa Cruz de la Sierra pelo Aeroporto Viru Viru.

Esse tipo de droga pode ser utilizado em vapes, e as autoridades bolivianas investigam como deveria ser a distribuição desse entorpecente, incluindo a possibilidade de encaminhamento para o Brasil, podendo entrar por Corumbá ou por cidades em Rondônia que fazem fronteira com o departamento de Beni.

Equipes policiais da Felcn fizeram essa apreensão no dia 19, a cerca de 600 km de distância de Mato Grosso do Sul, e houve um trabalho contínuo para interceptação de possíveis pessoas que poderiam estar levando a maconha para diferentes pontos.

Uma brasileira, que não teve idade e identidade divulgadas, acabou sendo presa em um ônibus que fazia o trajeto Santa Cruz-Puerto Quijarro, na fronteira com o Brasil, na quinta-feira.

Com essa brasileira os policiais não encontraram maconha líquida, mas identificaram 11 pacotes enrolados em nylon transparente dentro da mala da passageira, que viajava em um ônibus que faz esse trajeto regularmente. Ainda não se sabe quem seria o destinatário desse outro carregamento.

Conforme a Felcn divulgou na Bolívia, a apuração sobre a maconha líquida está recebendo prioridade por conta da alta sofisticação da produção desse entorpecente. O que já foi identificado é que um jovem de 23 anos era o destinatário do carregamento que escondia os 356 quilos do entorpecente.

Além da polícia, a Aduana Nacional (espécie da Receita Federal do país vizinho) e o Ministério Público estão com uma operação em andamento.

Por conta da forma como os traficantes vêm atuando para esconder os entorpecentes, cães farejadores também estão sendo usados na Bolívia.

“Em uma operação realizada pelo painel de controle de aeroportos da Felcn, foi possível interceptar várias encomendas suspeitas na área de carga do Aeroporto Internacional de Viru Viru, vindas de Miami. Durante a investigação, o cão Quetzal deu um alerta positivo para a presença de substâncias controladas. Ao abrir as encomendas, foram encontrados 504 pacotes contendo uma erva que deu resultado positivo para maconha. O caso foi encaminhado ao Ministério Público para investigação respectiva”, divulgou, em nota, a corporação policial.

O cão treinado conseguiu achar a droga mesmo com os traficantes tendo utilizado uma estrutura própria construída entre bombas d’água dentro de máquinas de sorvete e equipamentos eletrônicos para tentar driblar a fiscalização e o controle aduaneiro.

Desde Miami, o carregamento foi despachado pela empresa Transportes Aéreos Bolivianos. Quem despachou a carga foi um homem identificado como Josias d. S. C., que apresentou endereço no Queens, em Nova York (EUA).

Os equipamentos tinham chegado a Miami no dia 6 deste mês e só aterrissaram na Bolívia no dia 11.
Esse tipo de modalidade para tráfico de drogas foi considerado diferente de outras estratégias criminosas e, por isso, o governo boliviano informou que há um maior controle em terminais aeroportuários e também em regiões fronteiriças, como Puerto Quijarro/Puerto Suárez com Corumbá.
MACONHA LÍQUIDA

Esse tipo de entorpecente em Mato Grosso do Sul também não é comum, e a reportagem apurou que não houve apreensões desse tipo recentemente. Porém, essa droga já foi identificada no Rio de Janeiro, e a Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, chegou a realizar uma operação em outubro de 2025.

Em fiscalização no Aeroporto do Galeão, houve identificação de maconha líquida escondida em bebida alcóolica em carga também despachada de Miami. O óleo da cannabis estava diluído em garrafas.

Naquela época, a operação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em bairros como Copacabana e Botafogo. Ninguém chegou a ser preso.

Além desse caso do ano passado, em 2022, a Receita Federal encontrou a droga líquida em frascos de perfumes, também no Aeroporto do Galeão.

O óleo de cannabis costuma concentrar os canabinoides, que são os compostos químicos como o tetrahidrocanabinol (THC), que causa efeito psicoativo, e o canabidiol (CBD), que tem propriedades terapêuticas.

Por ter capacidade de causar maior efeito alucinógeno, esse tipo de produto acaba sendo vendido ilegalmente para uso em vapes.

Óleo de canabidiol, desde que vendido por meios legais por instituições credenciadas e com prescrição médica, pode ser consumido no Brasil. Em geral, a origem desse produto são os Estados Unidos.