Com 182 vagas, Ministério da Saúde aponta necessidade de 407.

Capital precisa dobrar número de leitos psiquiátricos

Com os atuais 182 leitos psiquiátricos para pacientes com vários tipos de doenças ou usuários de álcool e drogas, Campo Grande tem apenas 44,7% do mínimo necessário, segundo as exigências do Ministério da Saúde (que tomam por base, entre outras coisas, o tamanho da população).

A nota técnica 11 do Ministério da Saúde, publicada em fevereiro de 2019, aponta que a exigência é a de que haja um leito psiquiátrico para cada 2,2 mil habitantes. Como a Capital, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), tem 895.982 habitantes, um total de 407 leitos de tratamento psiquiátrico deveriam estar ativos. 

Dos 182 leitos disponíveis hoje, a maior parte não é para atendimento de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). São 114 em estabelecimentos particulares e apenas 68 em hospitais públicos.

Além disso, o CNES ainda apresenta mais 40 vagas para tratamento de saúde mental em hospital dia e mais oito leitos em unidade clínica. Também contabiliza quatro vagas para reabilitação. Todos esses 52 leitos estão em centros particulares.

Recentemente, a Santa Casa anunciou que abriria, com recursos próprios, o total de dez leitos de tratamento compulsório de álcool e de drogas. Tal investimento foi feito apesar da dívida pública de R$ 13.623.094,27, parte deste valor referente à falta de depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de alguns servidores, que totalizam R$ 942.146,09, conforme mostrou matéria publicada pelo Correio do Estado na edição de ontem.

Além disso, para tentar melhorar este cenário, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) planeja reformar a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bairro Coophavilla II, região sul da Capital, para transformar o local no novo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas IV (Caps AD). 

Com a previsão de abertura de mais 20 vagas para tratamento de usuários de álcool e de drogas, a quantidade de leitos deve se aproximar da metade exigida, passando a 202 (49,6% do esperado).

Segundo a assessoria da secretaria, as obras devem começar no próximo mês e a avaliação do titular da pasta, José Mauro de Castro Filho, é a de que as adequações levem até quatro meses. A UBS deverá operar com o Centro Regional de Saúde (CRS) do bairro.

A nova unidade vai ajudar a desafogar o Caps IV Fátima M. Medeiros, localizado no Bairro Jardim São Bento, que todos os meses atende cerca de 5 mil pessoas, já que é o único estabelecimento público deste tipo na Capital.

Hoje a unidade conta com 20 leitos para internação e quatro para urgência e emergência. Os pacientes só podem ficar internados no local 14 dias por mês, ininterruptos ou intercalados.

No Centro em funcionamento, a equipe conta com nove médicos ambulatoriais para as consultas e três médicos visitadores que cuidam dos pacientes internados, além de 14 multiprofissionais. O local funciona 24 horas e tem várias atividades complementares para os pacientes, como grupo de ausculta qualificado (terapia de grupo) e grupo fisioterapêutico (que oferece caminhada, futebol, alongamento e capoeira).

Essa situação tem gerado fila de espera para internação no único Caps AD em atividade. Por conta disso, no ano passado a 32ª Promotoria de Justiça da Saúde Pública recomendou que o município transformasse um CRS em um Caps AD IV, para suprir a demanda por vagas na Capital. A resposta da prefeitura foi a criação do Caps AD na região sul.

*Recomendação

Em outubro de 2019, o Ministério Público do Estado (MPE) recomendou a criação de 244 leitos destinados a pacientes com transtorno mental ou com algum problema decorrente de álcool e drogas na Capital no prazo de dois meses De acordo com o documento, foram 750 tentativas de suicídios em 2014, 812 em 2015, 868 em 2016, 1.086 em 2017 e, por fim, 1.127 em 2018, representando um aumento de 50% em quatro anos. Os números de casos consumados aumentou em 48%, saindo de 49 em 2015 para 73 em 2018.