No total, 872 foram convocados para esta fase eliminatória. Conforme a investigação, uma candidata de 28 anos saiu da prova e decorou parte do texto a ser digitado.

Candidatos denunciam

Dezoito candidatos compareceram na delegacia, em Campo Grande, para denunciar um suposto vazamento de provas na 6ª fase do concurso público para investigadores e escrivães, de acordo com a polícia.

Nesta segunda-feira (10), a comissão organizadora determinou perícia em todos os computadores, negou os fatos e fala em responsabilização dos denunciantes, além de oportunismo de pessoas que já foram reprovadas e estariam querendo uma nova oportunidade para participar do concurso.

No total, 872 foram convocados para esta fase eliminatória. Conforme a investigação, uma candidata de 28 anos saiu da prova e publicou parte do texto a ser digitado. "O texto digitado é incompleto, continha erros e não condiz com o texto real da prova. Uma das envolvidas mandou para um grupo ontem, por volta das 10h30 (de MS) e não anteontem, como foi divulgado", afirmou ao G1 a delegada titular da Academia de Polícia Civil (Acadepol), Maria de Lourdes.

No decorrer das apurações, ainda conforme a delegada, uma das testemunhas foi identificada como a candidata que enviou o texto em um grupo de WhatsApp. "Esta pessoa deverá responder a procedimentos administrativos e criminais. A intenção com esta prova é de avaliar a habilidade que o candidato tem na hora de digitar um texto e todos aqueles que participaram desta fraude podem responder ao artigo 311 A do Código Penal", comentou Lourdes.

Ainda conforme a polícia, as pessoas não estiveram na delegacia para falar sobre a divulgação do texto e sim para reclamar de problemas técnicos, como possíveis falhas nos computadores. "Todas as pessoas que estiveram na delegacia, sem exceção, não completaram os textos e provavelmente, não conseguiram digitar o texto. Estão todos na mesma situação, com a intenção de anular esta fase da prova e terem nova chance", acredita a delegada.

Outro fato que foi verificado pela polícia é que somente uma pessoa saiu com a folha de resposta em mãos. "Não tem como sair com este documento e o dela é o único que está faltando. Agora, com a intenção de deixar transparente toda a realização da prova e ressaltar que são alegações infundadas e com objetivo de beneficiar os envolvidos, está sendo feita a perícia", ressaltou Maria de Loures.

A reportagem entrou em contato com uma das denunciantes. A estudante, que reside na região sul do estado, disse que só vai conceder entrevista ao lado do advogado. A candidata comentou também que ele está "tomando pé" da situação nesta tarde e, em seguida, poderá conversar com a imprensa.

O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, como preservação de direito.

Veja na íntegra a nota divulgada pela Acadepol em MS:

Presidente da Comissão Organizadora do Concurso Público da Provas e Títulos da Polícia Civil/MS, relatou que ocorreu a divulgação de parte do texto digitado por determinada candidata, no dia 09/09/2018 (domingo), por volta das 10h30 em um grupo do WhatsApp que não condiz com o texto original da prova aplicada, contendo inúmeros erros. Afirmou que a divulgação desse texto não prejudica o certame em andamento.

Não procede também a informação de que outros candidatos tenham levado a prova aplicada ou mesmo parte dos textos digitados, uma vez que houve uma nova conferência de todas as folhas com os textos digitados pelos candidatos e, notadamente, apenas a candidata, já identificada, que apoderou-se do texto digitado por ela, contendo erros e que de forma dolosa e irresponsável acabou ela própria por divulgar.

Diante disso, estão sendo tomadas as providencias administrativas que podem até culminar na exclusão da candidata e outras medidas legais pertinente ao caso.
A conduta, adotada pela candidata, tinha como objetivo comprometer a credibilidade do concurso público, no momento em que constatou que o seu desempenho não havia sido suficiente para a aprovação na referida etapa.

Reafirmamos que essa conduta não gerou qualquer tipo de prejuízo aos candidatos uma vez que esta fase do concurso afere a habilidade técnica de digitação dos candidatos, o que se obtém através de intenso treinamento para a Prova de Digitação.

A divulgação com algumas horas de antecedência, de texto errado, não tem o condão de auxiliar ou prestigiar candidato que não se preparou previamente para o certame, especificamente nessa fase da Prova de Digitação.