Para analistas, a ofensiva seria reflexo da pressão sobre o comando da campanha de Lula após o resultado do primeiro turno.
A disputa pelo eleitorado feminino ganhou um novo capítulo no segundo turno.
Publicações nas redes sociais passaram a explorar a possibilidade de retrocessos no direito das mulheres ao voto em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), apesar de não haver proposta do candidato para acabar com o voto feminino.
Para analistas, a ofensiva seria reflexo da pressão sobre o comando da campanha de Lula após o resultado do primeiro turno.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou na frente, com 56.104.503 votos (47,03%), contra 53.879.538 votos (45,16%) de Lula (PT), abrindo uma vantagem de 2.224.965 votos sobre o atual presidente.
A controvérsia nasceu de declarações de influenciadores de direita e já havia provocado desinformação durante a campanha.
O resultado das urnas também mostra que mulheres têm espaço relevante nas duas maiores forças partidárias da próxima Câmara. O PL elegeu 22 deputadas federais, enquanto o PT fez 25.
Juntos, os dois partidos responderão por 47 das 109 mulheres eleitas para a Câmara, que terá a maior bancada feminina de sua história a partir de 2027.
A origem da controvérsia está em manifestações feitas por pessoas ligadas à direita, mas que não representam uma proposta apresentada por Flávio.
Em junho, o influenciador Paulo Figueiredo afirmou que mulheres “votam mal”. Flávio reagiu publicamente, classificou a declaração como equivocada e repudiou a fala sobre as mulheres.
Também houve casos em que declarações inexistentes foram atribuídas a integrantes do PL. Em julho, viralizou nas redes a afirmação de que o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante, teria defendido “repensar o voto feminino”.
Checagens mostraram que a declaração era falsa e que o parlamentar não havia tratado do assunto na entrevista utilizada nas publicações.
Constituição protege voto universal
Independentemente da disputa eleitoral, um presidente da República não tem poder para simplesmente retirar das mulheres o direito de votar.
A Constituição protege o voto direto, secreto, universal e periódico no artigo 60, parágrafo 4º. A garantia está entre as cláusulas pétreas, que não podem ser abolidas sequer por meio de proposta de emenda constitucional.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também prevê punições para a disseminação de conteúdo sabidamente falso ou gravemente descontextualizado destinado a prejudicar adversários.
Dependendo das circunstâncias e da gravidade, a desinformação pode caracterizar uso indevido dos meios de comunicação ou abuso de poder político ou econômico.
Por isso, atribuir diretamente a Flávio uma proposta de extinguir o voto feminino, sem que ela exista, ultrapassa o debate legítimo sobre declarações de seus aliados e entra no terreno da desinformação eleitoral.
Nossa Senhora e Bolsa Família também entraram na campanha
Não é a primeira vez nesta eleição que uma informação sem respaldo em proposta de Flávio ganha espaço justamente em um tema de forte apelo emocional.
Pouco antes do primeiro turno, circulou a informação falsa de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil caso fosse eleito. Não havia declaração nem proposta do candidato nesse sentido.
A história rapidamente entrou na campanha. Janja, Geraldo Alckmin (PSB) e outros aliados de Lula abordaram o tema enquanto Flávio reagiu com uma sequência de vídeos para negar a acusação e também recorreu à Justiça Eleitoral.
O episódio mostrou como temas religiosos ou ligados a direitos consolidados podem ganhar dimensão eleitoral mesmo quando a afirmação original não corresponde a uma proposta do candidato.
A militância petista também passou a disseminar a afirmação de que o candidato do PL acabaria com o Bolsa Família. Flávio Bolsonaro, porém, tem declarado publicamente desde antes do período eleitoral que pretende manter o programa caso seja eleito. Em setembro, prometeu preservar inclusive o reajuste concedido pelo atual governo e afirmou que pretende “fazer muito mais” pelo benefício.
Entre as mudanças defendidas por Flávio está ampliar a segurança para quem busca emprego formal.
O candidato propõe que beneficiários possam assinar a carteira de trabalho sem perder imediatamente o Bolsa Família, mantendo uma proteção durante a transição para o mercado formal.
Agora, no segundo turno, o voto feminino passa a ocupar espaço semelhante na batalha das redes, com os fakes news disparados por petistas.













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