O Banco Central autorizou os bancos a descontarem do compulsório os aportes antecipados ao FGC. O mercado gostou: Itaú, Bradesco, BB e Santander subiram cerca de 2% logo na abertura

BC libera R$ 30 bi e ações de bancos disparam na bolsa
Prédio do Banco Central (BC). / Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Os grandes bancos brasileiros abriram esta quarta-feira (4) em alta na bolsa. A razão foi uma decisão do Banco Central anunciada na noite de terça-feira. O BC autorizou as instituições financeiras a deduzirem dos recolhimentos compulsórios os valores antecipados ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O que o BC autorizou, afinal?
Para entender a medida, é preciso voltar um passo. Em fevereiro, o FGC determinou que os bancos antecipem contribuições mensais ordinárias por 84 meses até 2028. O objetivo é recompor o patrimônio do fundo. Afinal, o FGC pagou bilhões a correntistas do Banco Master após a liquidação da instituição pelo BC.

Essa antecipação, no entanto, pressionava a liquidez do sistema bancário. Consequentemente, o BC agiu para neutralizar o impacto. A solução foi permitir que os bancos descontem esses aportes dos depósitos compulsórios aquele dinheiro que as instituições são obrigadas a deixar parado no BC.

A estimativa é que a medida libere R$ 30 bilhões em 2026. Além disso, cada banco terá liberdade para decidir se desconta do compulsório sobre recursos à vista ou a prazo.
A reação do mercado
O mercado reagiu rapidamente. Às 10h30, Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) avançavam cerca de 2%. Em seguida, os ganhos amenizaram para cerca de 1% por volta das 11h. Ainda assim, o movimento foi positivo em um dia de maior aversão a risco no mercado global.

O UBS BB resumiu bem o impacto da decisão. Segundo o banco, a autorização do BC praticamente elimina os custos de reconstituição do fundo de seguros para as instituições financeiras. Portanto, o que era um peso no balanço dos bancos virou uma operação neutra e o mercado precificou isso na hora.

Por que isso importa para o investidor?
A medida tem efeito direto na rentabilidade dos bancos. Sem o peso dos aportes ao FGC consumindo liquidez, as instituições ficam com mais espaço para operar, emprestar e gerar lucro. Dessa forma, o impacto positivo vai além do pregão de hoje.

Além disso, o episódio mostra como decisões regulatórias do BC podem mover rapidamente as ações do setor financeiro. Assim, quem acompanha bancos na bolsa precisa ficar de olho não só nos balanços mas também nas notas técnicas da autoridade monetária.