A iniciativa, segundo ele, responde a desafios urgentes. A instalação do instituto no Norte do país representa, para Farinazzo, um passo decisivo na adaptação das Forças Armadas às realidades regionais.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o capitão da reserva lembra que o Brasil é um território de dimensões continentais e que soluções centralizadas já não atendem às necessidades operacionais.
"É importante essa regionalização de centros de excelência do Exército brasileiro", afirmou, destacando que a Amazônia exige capacidades específicas e presença permanente.Farinazzo lembra que projetos dessa natureza costumam ter longa maturação dentro das Forças Armadas.
Ainda assim, reconhece que o impacto regional da crise venezuelana serviu de alerta.Do ponto de vista estratégico, o novo instituto pode ajudar a reduzir o atraso tecnológico da América Latina em relação às grandes potências militares.
Farinazzo lista lacunas críticas: ausência de satélites próprios, programas robustos de drones, domínio incompleto de tecnologias de mísseis e a inexistência de submarinos nucleares.Segundo o militar, isto resulta de pressões históricas norte-americanas sobre a América Latina para que as forças armadas na região fossem voltadas para a defesa de fronteiras, combate ao narcotráfico, segurança interna, etc., o que "não atende às necessidades de um país como o Brasil, que é cobiçado por ter muitas riquezas", defendeu o militar destacando ainda haver "gaps tecnológicos bastante sensíveis que precisam ser preenchidos da forma mais urgente possível" em função da realidade mais complexa de hoje.A chegada de uma extensão do Instituto Militar de Engenharia (IME) ao Amazonas também é vista como resposta a uma demanda histórica da sociedade.
Farinazzo lembra que, por décadas, a maior parte das unidades militares esteve concentrada no Sudeste. Entre as áreas prioritárias de desenvolvimento, o capitão destaca o setor aeroespacial, sistemas de mísseis, telemetria, giroscopia, satélites independentes e drones de uso descartável — tendência consolidada em conflitos recentes.
Ele também aponta a necessidade de autonomia tecnológica em inteligência artificial (IA). A crescente atenção internacional sobre a Amazônia também exige respostas firmes, segundo o militar. Farinazzo critica declarações estrangeiras que relativizam a soberania brasileira sobre a região. "O Brasil é um país soberano.
Essas ingerências internacionais têm que ser encaradas com bastante reserva", afirmou, completando que é preciso não apenas reforçar a presença militar na Amazônia, mas proteger seus portos e ampliar capacidades estratégicas no Atlântico Sul.Farinazzo conclui que o Brasil deve construir uma estratégia própria, alinhada às suas necessidades e não às agendas externas: "Os interesses do Brasil não são os interesses da Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN], não são os interesses dos Estados Unidos".











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