Antes de R$ 1,7 bilhão, subiu para R$ 23,7 bilhões
Diretores de agências reguladoras expressaram nesta sexta-feira, 22, preocupação com o anúncio de que mais R$ 22,1 bilhões foram bloqueados do orçamento. Reunidos hoje em um hotel no litoral paulista para participação no fórum da Esfera, eles ressaltaram que a eficiência dos serviços das agências – e por extensão a segurança dos investimentos em infraestrutura – dependem de recursos.
Durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cortes de recursos comprometeram projetos de fiscalização, que precisaram ser suspensos, e levaram à perda de servidores nas agências reguladoras. Um ano atrás, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) chegou a alertar que reduziria seu horário de atendimento por falta de dinheiro.
Durante painel do fórum que tratou de como a modernização regulatória pode destravar investimentos no Brasil, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Sampaio, admitiu que ficou preocupado com a notícia. O valor bloqueado no orçamento, antes de R$ 1,7 bilhão, subiu para R$ 23,7 bilhões.
“Espero muito que as agências que estão aqui não sofram com isso, porque, senão, o setor privado, que realiza os investimentos, e os usuários certamente serão penalizados”, declarou Sampaio. Também participaram do painel os diretores da Aneel, Sandoval Feitosa; da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Larissa Oliveira Rêgo, e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto.
Mais tarde, durante conversa com a Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Watt Neto disse que acompanha o bloqueio orçamentário com atenção e que vai buscar diálogo para sensibilizar o governo sobre as necessidades da ANP “Tivemos anos muito difíceis, cerca de dez anos com quedas constantes de recursos”, comentou o diretor da ANP.
Em sua intervenção no evento da Esfera, realizado no Guarujá, Sampaio observou que 60% dos investimentos entre R$ 1,7 trilhão e R$ 1,8 trilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vêm da iniciativa privada, que, por sua vez, tem as atividades supervisionadas pelas agências. “O investidor espera maturidade e capacidade desses órgãos.”
Para os reguladores, a “luz no fim do túnel” são as iniciativas do Legislativo para proteger as agências dos cortes de verbas. Na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026, o Congresso aprovou um texto que proibia o governo de realizar bloqueios e contingenciamentos no dinheiro das autarquias.
A iniciativa, no entanto, foi vetada por Lula diante do aperto no cumprimento da meta fiscal. Com isso, as agências reguladoras se uniram na articulação com parlamentares pela derrubada do veto presidencial.













Olá, deixe seu comentário!Logar-se!