O advogado já foi alvo de operação por fraude em concurso
Um advogado sul-mato-grossense está sendo investigado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, por integrar o núcleo da ‘Sintonia dos Gravatas’ na facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Em 2024, o advogado já havia sido denunciado por fraude em um concurso público, durante a Operação Sommelier.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) define como ‘gravata’ profissionais do direito que foram cooptados pelo PCC. Assim, o advogado, apontado como “pombo-correio”, era responsável por transportar mensagens ilícitas, popularmente conhecidas como “salves”, entre lideranças da facção presas em regime fechado e membros em liberdade.
Compondo o núcleo ‘Sintonia dos Gravatas’, ele é investigado por ser responsável por organizar a assistência jurídica a integrantes da máfia e gerir ordens de pelo menos três líderes, dentro e fora do cárcere. Diligências foram realizadas em Campo Grande, Araraquara, interior de São Paulo, e também no litoral santa-catarinense em Itajaí.
No entanto, o esquema criminoso só foi descoberto durante os desdobramentos da Operação Sommelier, deflagrada em 2024, para apurar fraudes em licitações e delitos correlatos em Itaporã, a 211 km de Campo Grande. Durante os cumprimentos na residência do advogado, foram encontradas evidências de participação na rede criminosa, que unia a prestação de serviços jurídicos ilícitos ao tráfico de drogas e também à lavagem de capitais.
A reportagem acionou a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul); mas, até o fechamento da reportagem, não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Logística de tráfico
Segundo levantado pelo Gaeco, o advogado operava uma logística de tráfico, transportando semanalmente carregamentos de cocaína de Ponta Porã para o Paraná e Minas Gerais. Os entorpecentes eram escondidos em tanques de combustível ou estepes de pneu.
Além disso, para conseguir ocultar a verdadeira identidade, ele utilizava diversas contas no WhatsApp registradas com nomes falsos.
Mediante intenso trabalho de campo e apoio da Polícia Militar de São Paulo, o Gaeco conseguiu prender o advogado em flagrante no dia 13 de outubro de 2024, no interior paulista, conduzindo um veículo que transportava 22 kg de pasta-base de cocaína dentro do tanque de combustível.
Em decorrência desse flagrante, ele foi condenado pelo Juízo da 1ª Vara da Comarca de Mirassol (SP) a 6 anos, 6 meses e 3 dias de reclusão em regime inicial fechado, além do pagamento de 651 dias-multa. Está cumprindo pena em Araraquara e com prisão preventiva decretada na nova investigação.
A denúncia atual, que corre na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, também aponta a participação de uma mulher — que teve a prisão decretada, mas está desaparecida — na administração financeira e venda de entorpecentes. Outros três faccionados do PCC constam da acusação: um preso no complexo da Gameleira, em Campo Grande, e os outros dois foragidos.
Atentado
A denúncia do MPMS aponta que o advogado tinha comunicação com outros profissionais já identificados como integrantes do corpo jurídico do PCC, aliciados para serviços que vão além das previsões legais. Entre os chefes do PCC em Mato Grosso do Sul, há um que esteve implicado em um plano de atentado a autoridades.
O implicado, denominado como líder do PCC, foi flagrado com ‘bilhete terrorista’ com planos de ataques a autoridades em Mato Grosso do Sul.
Em um trecho da carta, o integrante do PCC diz: “Falam umas ideia na rua… estão de represália no sentido do secretário de Segurança do Estado [sic] […] raiva de promotor de Justiça, raiva de Justiça e da polícia. Se puder, vou ceifar todos como fiz com o Junior”.
O presidiário também confessou, no texto da carta, um homicídio cometido há 7 anos. Ele cita apenas o nome da vítima, que seria Junior.
Em outro trecho da carta, relata que o pedido de transferência feito pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) foi aceito pelo Ministério Público.
No entanto, o líder foi absolvido.
Loja de vinhos ‘ganhou’ licitação para organizar concurso?
A Operação Sommelier investiga atuação de um grupo que agiu em conluio para direcionar a licitação da organização do concurso para a empresa Delta. O resultado do concurso também surpreendeu, já que a secretária municipal de Saúde, Angela Cristina Marques Rosa, passou em 1º lugar para cargo de coordenadora pedagógica. Além disso, parentes de servidores investigados pelo Gaeco obtiveram aprovação.
As investigações da 1ª Promotoria de Justiça de Itaporã identificaram que houve conluio entre agentes públicos para direcionar licitação que escolheu empresa para realizar concurso público para a Prefeitura de Douradina.
O objetivo era desviar dinheiro por meio do superfaturamento.
Advogado tinha gabarito do concurso guardado em casa
No cumprimento dos mandados autorizados pela Justiça, o Gaeco apreendeu documentos importantes na casa do advogado, como uma página impressa do certame da Prefeitura de Douradina, com anotações manuscritas, e um envelope com o gabarito do concurso na estante do escritório, junto de outros manuscritos que não tiveram o conteúdo divulgado.
Ainda, foram apreendidos pasta com documentos da Delta e outros diversos documentos relativos ao concurso de Douradina. Também houve a apreensão de R$ 64,7 mil em espécie e 8 aparelhos celulares.











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