Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na quarta-feira (23) mostra Lula com 45,8% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 43,4%.
A dez dias do primeiro turno das eleições de 2026, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) passaram a concentrar parte das estratégias na disputa pelo chamado voto útil, movimento em que o eleitor troca sua primeira opção por outro candidato com o objetivo de influenciar o resultado. A atenção aumentou após novas pesquisas mostrarem maior concentração das intenções de voto nos dois principais concorrentes.
Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na quarta-feira (23) mostra Lula com 45,8% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 43,4%. O levantamento ouviu 5.015 eleitores entre os dias 17 e 22 de setembro e tem margem de erro de 1 ponto percentual. Na rodada anterior, Lula tinha 44,1% e Flávio, 41,7%.
Com a oscilação positiva dos dois, a soma das intenções de voto de Lula e Flávio chegou a 89,2% na pesquisa. Renan Santos (Missão) aparece com 4,5%, enquanto Augusto Cury (Avante) tem 2,1%. Os demais candidatos aparecem com percentuais menores.
O crescimento dos dois candidatos, porém, não permite afirmar que houve migração direta de eleitores de outras candidaturas. A pesquisa registra a concentração das intenções de voto, mas não mede, por si só, a origem dessa movimentação.
Flávio amplia apelo entre eleitores de outros candidatos
A estratégia de buscar eleitores de outras candidaturas apareceu de forma mais explícita na campanha de Flávio Bolsonaro nesta semana. O candidato e aliados passaram a defender publicamente a concentração de votos entre eleitores de nomes que aparecem atrás dele e de Lula nas pesquisas.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou de uma transmissão ao lado de Flávio e defendeu uma postura de “pragmatismo” por parte dos eleitores. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), o senador Rogério Marinho (PL-RN) e integrantes da equipe econômica da campanha também fizeram manifestações em defesa da estratégia.
Um levantamento do Datafolha divulgado na quarta-feira ajuda a dimensionar esse eleitorado. Considerando conjuntamente os eleitores de Romeu Zema (Novo), Renan Santos, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury, 43% disseram que votariam em Flávio em um eventual segundo turno contra Lula, enquanto 30% escolheriam o petista. Outros 26% optariam por branco, nulo ou nenhum dos dois.
O recorte, no entanto, representa uma simulação de segundo turno e não significa que esses eleitores necessariamente mudarão de candidato no primeiro turno.
Entre os eleitores de Zema, Flávio aparece com 48%, contra 25% de Lula. No grupo de apoiadores de Renan Santos, os percentuais são de 43% e 22%, respectivamente. Já entre os eleitores de Caiado, Flávio registra 43% e Lula, 30%; entre os de Cury, são 41% e 35%. Nos dois últimos segmentos, as diferenças estão dentro das respectivas margens de erro.
Lula reforça mobilização da base
A campanha de Lula, por sua vez, tem concentrado esforços na mobilização de eleitores que já declaram apoio ao presidente, especialmente em segmentos nos quais o petista apresenta maior percentual de intenção de voto.
A estratégia envolve ampliar a presença do candidato em agendas de rua e viagens por diferentes estados e estimular a participação de eleitores que apoiam Lula, numa tentativa de reduzir a abstenção no primeiro turno.
A preocupação com a participação eleitoral ganha importância porque o voto útil não é o único fator considerado pelas campanhas na reta final. A capacidade de cada candidatura de manter seus eleitores e transformá-los em votos efetivos também pode alterar a composição final do primeiro turno.
Pesquisas mostram disputa concentrada
O Datafolha divulgado nesta semana também aponta um cenário de forte fidelidade entre os eleitores dos dois principais candidatos. Segundo o levantamento, Lula mantém 98% dos eleitores que declararam votar nele no primeiro turno, enquanto Flávio preserva 99% de sua base.
Entre os eleitores que se declaram bolsonaristas, Flávio aparece com 91% das intenções em um eventual segundo turno contra Lula, que registra 4%. Entre os petistas, Lula chega a 92%, enquanto Flávio tem 5%.
Já entre os eleitores que não se identificam nem com o bolsonarismo nem com o petismo, a disputa é mais distribuída: Flávio aparece com 39% e Lula com 33%, dentro da margem de erro específica desse segmento.
No cenário geral de segundo turno medido pelo Datafolha, Lula tem 46% e Flávio, 44%, resultado classificado como empate técnico pela margem de erro de dois pontos percentuais.
Com o primeiro turno se aproximando, as campanhas passaram a disputar não apenas os eleitores que ainda não definiram o voto, mas também aqueles que apoiam candidaturas que podem não avançar para a segunda etapa. O comportamento desse eleitorado é acompanhado pelas equipes porque pode influenciar tanto a composição do segundo turno quanto a distribuição de votos entre Lula e Flávio.













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