Banco afirma que a tensão entre Irã e EUA voltou a pressionar a oferta global de petróleo e reforçou as perspectivas para o Brent.
As tensões no Oriente Médio voltaram a colocar o Estreito de Ormuz no centro das atenções do mercado de petróleo. Segundo relatório do JPMorgan, a nova escalada envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados interrompeu a recuperação do fluxo de petróleo e derivados observada desde junho e, além disso, reacendeu as preocupações com a oferta global de energia.
Além disso, o banco avalia que o foco da crise mudou. Em vez de um eventual fechamento total da passagem marítima, o impasse agora gira em torno do controle das condições de navegação em uma das rotas mais estratégicas para o comércio mundial de petróleo.
Enquanto isso, a Genial Investimentos destacou que o aumento do risco geopolítico voltou a influenciar os preços da commodity e, consequentemente, pode beneficiar empresas brasileiras do setor, como Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3).
Irã muda estratégia no Estreito de Ormuz
De acordo com o JPMorgan, o Irã passou a priorizar uma estratégia diferente. Em vez de bloquear completamente o Estreito de Ormuz, Teerã tenta impor protocolos obrigatórios de navegação e cobrar taxas de embarcações comerciais que cruzam a região.
Em resposta, os Estados Unidos apoiaram a criação de um corredor marítimo ao longo da costa de Omã, retomaram sanções contra o petróleo iraniano e ampliaram o bloqueio a portos do país. Na sequência, o governo iraniano voltou a declarar o estreito fechado.
Para o banco, essa escalada interrompeu rapidamente a recuperação do tráfego marítimo.
Os fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz caíram para 5,1 milhões de barris por dia, ante 12,5 milhões registrados uma semana antes. Desse total, 1,7 milhão de barris diários corresponde às exportações do Irã.
Segundo o relatório, a maior parte dos navios passou a utilizar rotas aprovadas pelo governo iraniano ou trajetos clandestinos, enquanto o corredor apoiado por Omã praticamente perdeu relevância.
Crise também atinge combustíveis refinados
O JPMorgan destaca que os impactos já ultrapassam o mercado de petróleo bruto.
As exportações de derivados refinados do Golfo Pérsico recuaram de 1,9 milhão para 1,2 milhão de barris por dia, ficando muito abaixo dos 3 milhões de barris diários registrados antes do agravamento do conflito.
Além disso, os estoques flutuantes que ajudavam a compensar parte da oferta já se esgotaram. Com isso, a recuperação do mercado depende da retomada das refinarias da região.
No auge da crise, as paralisações retiraram cerca de 3 milhões de barris por dia da capacidade de exportação de derivados. Embora parte desse volume tenha retornado, o banco calcula que 2,1 milhões de barris diários ainda permanecem fora de operação.
Como consequência, o mercado internacional enfrenta um déficit de aproximadamente 2,5 milhões de barris por dia de combustíveis derivados produzidos no Oriente Médio.
Rússia amplia pressão sobre oferta global
Ao mesmo tempo, o sistema de refino da Rússia também enfrenta dificuldades.
Segundo o JPMorgan, o processamento de petróleo no país caiu de 3,8 milhões para 3,3 milhões de barris por dia em apenas uma semana e, além disso, permanece 2 milhões de barris diários abaixo do registrado há um ano.
O banco ressalta que o diesel concentra os maiores impactos. As exportações russas do combustível se aproximaram de zero, uma queda de quase 800 mil barris por dia na comparação anual.
Além disso, um projeto em discussão no Senado dos Estados Unidos pode ampliar as sanções contra a chamada “frota fantasma” russa e impor tarifas sobre grandes compradores da energia produzida pelo país, como China e Índia.
JPMorgan mantém projeção de Brent a US$ 86
Apesar da volatilidade, o JPMorgan avalia que os fundamentos do mercado continuam apertados.
O banco observa que, ao excluir o petróleo em trânsito marítimo, os estoques globais em terra fora da China atingiram mínimas históricas. Esse cenário sustenta a projeção de US$ 86 por barril para o Brent no terceiro trimestre de 2026, valor próximo das cotações atuais.
Além disso, a instituição projeta o Brent em US$ 80 no quarto trimestre e média anual de US$ 85 em 2026.
Para 2027, contudo, o banco espera uma acomodação dos preços para cerca de US$ 63 por barril, caso a oferta global volte a se normalizar.
Petrobras e PRIO voltam ao radar
Para o mercado brasileiro, a alta do petróleo pode beneficiar as produtoras de óleo.
Segundo a Genial Investimentos, o retorno do risco geopolítico em Ormuz fortalece as perspectivas para empresas expostas ao Brent, especialmente Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3).
No caso da Petrobras, preços mais elevados aumentam a geração de caixa da área de exploração e produção. Por outro lado, também elevam a pressão sobre a política de preços dos combustíveis no mercado doméstico, ampliando o debate sobre inflação e possíveis reajustes.
Já a PRIO, por concentrar suas operações na produção offshore e ter menor exposição às discussões sobre preços internos, tende a capturar de forma mais direta os ganhos de um petróleo mais caro.
Por fim, o JPMorgan não considera um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz como cenário-base. Ainda assim, o banco afirma que o mercado voltou a conviver com um ambiente marcado por negociações, rupturas e novas escaladas, mantendo o risco geopolítico como um dos principais fatores para os preços do petróleo nos próximos meses.