Outra incerteza envolve uma investigação separada.

Tarifas: exceções protegem 66,8% do agro
Outra incerteza envolve uma investigação separada. / Foto: Pixabay

A lista de exceções dos Estados Unidos preserva produtos que responderam por 66,8% das exportações do agronegócio brasileiro ao mercado norte-americano em 2025, o equivalente a US$ 7,67 bilhões. Segundo análise do Insper Agro Global, a proteção limita o alcance da sobretaxa, mas mantém segmentos importantes expostos.

O documento definitivo do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) retirou da cobrança 2.127 linhas tarifárias, incluindo 244 relacionadas ao setor agropecuário. Em comparação com a proposta de junho, foram acrescentadas 433 exceções, das quais 71 são de produtos do agro.

Café em grão e solúvel, carne bovina, suco de laranja, algumas frutas, pescados, fertilizantes e celulose estão entre os itens preservados. A relação indica que os Estados Unidos consideraram o papel do Brasil no abastecimento de suas cadeias e o risco de novos aumentos dos preços internos.

Por outro lado, madeira, açúcar, fumo, máquinas agrícolas e fibras têxteis continuam entre os segmentos mais expostos. A tarifa também vale para o açúcar exportado dentro das cotas destinadas ao país.

Outra incerteza envolve uma investigação separada sobre falhas no combate ao trabalho forçado. O processo inclui 60 países e prevê uma possível tarifa adicional de 12,5%. Caso seja implementada de forma cumulativa, a cobrança sobre determinados produtos brasileiros poderá chegar a 37,5%. Como ainda não há data para essa segunda medida e as negociações bilaterais permanecem limitadas, o agro acompanha possíveis reflexos sobre preços, investimentos, competitividade e fluxos comerciais.