Suspeita de matar manicure já tinha histórico de crime motivado por ciúmes

Gabriela Antunes dos Santos, de 22 anos, confessou para a Polícia Civil que matou Jennifer Nayara Gilhermete de Moraes, também de 22 anos, por causa de ciúmes. De acordo com o depoimento, ela era amiga da vítima, mas em dezembro de 2015 descobriu que em 2010 a jovem teve um caso com Alisson Patrick Vieira da Rocha, anos antes de ele se casar com Gabriela.

Segundo o delegado Alexandre Evangelista, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil e responsável pelo caso, em dezembro de 2015 uma amiga de Gabriela foi até o local onde ela trabalhava e contou a história do 'caso' que Jennifer teve com o então marido da jovem, Alisson. De acordo com a polícia, em 2010 Jennifer e outras três meninas saíram com Alisson e a jovem foi com ele até um motel, nas proximidades da UCDB.

Ao saber da história, Gabriela teve crises de ciúmes e começou a conversar com Jennifer por mensagens de celular, pois queria 'colocar a limpo' a situação. A adolescente de 16 anos, que também estaria envolvida no homicídio de Jennifer, intermediava conversas entre criminosa e vítima.

Homicídio

Segundo o delegado Evangelista, no dia 16 de janeiro Gabriela foi até o lava-jato do marido e pegou o Sonic branco, que estava à venda no local. Os funcionários não estranharam o fato, já que a jovem era mulher do proprietário. Enquanto isso, a adolescente enviou mensagens para Jennifer, falando que Gabriela queria encontrá-la para que elas acertassem o desentendimento.

 Gabriela, a adolescente e Emilly Karolainy Leite, de 19 anos, convenceram a vítima a entrar no carro e foram até o 'Inferninho', onde Jennifer foi morta. A amiga de Gabriela, que contou para a jovem sobre o caso de Alisson e Jennifer ocorrido em 2010, chegou a ser ouvida pela polícia e afirma que foi convidada a participar do crime, mas se negou.

Conforme depoimento de Gabriela, a intenção era apenas 'dar um susto' em Jennifer. Segundo o delegado Evangelista, a jovem é dominadora e sempre consegue convencer as pessoas a fazerem o que ela quer. Ela se apresentaria à imprensa nesta quarta-feira (17), em coletiva, mas foi orientada pelo advogado a não se apresentar.

Gabriela e Emily estão no Presídio Feminino e responderão por homicídio qualificado. A arma usada no crime foi apreendida pela polícia e o caso já foi encaminhado ao Judiciário, após investigação da 2ª DP, SIG (Setor de Investigações Gerais) e DEH (Delegacia Especializada de Homicídios).

Ciúmes

Segundo a polícia, Gabriela foi a autora de agressão a uma adolescente de 14 anos, em 2014. A vítima foi torturada no dia 28 de abril no Estrela do Sul e também no Nova Lima, bairros da região norte de Campo Grande.

Ao sair da escola, por volta das 12 horas, a adolescente foi atraída por uma “amiga”, que a chamou para acompanhá-la. Ao se aproximar da colega, a vítima foi empurrada para dentro de um imóvel, onde estariam Gabriela e um rapaz de 20 anos. Eles seguraram a jovem e começaram as agressões.

De acordo com a polícia, Gabriela estava armada com algo cortante e deixou vários riscos pelo corpo da vítima. A suspeita ainda falava para a adolescente que ela estava apanhando porque “estava pegando o marido dos outros”.

Ainda conforme a polícia, Gabriela fez ameaças à jovem e mandou que ela subisse na garupa de uma motocicleta que ela pilotava. A vítima foi levada para uma área isolada, nas proximidades de um frigorífico, onde voltou a ser agredida e teve o cabelo raspado.

Em seguida, ela foi liberada pela suspeita. A adolescente andou por alguns quilômetros e pediu ajuda em um Ceinf (Centro de Educação Infantil), no bairro Nova Lima. O caso foi registrado pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) pelo crime de tortura.