O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (Progressistas), defende a industrialização do milho como uma das estratégias para ampliar a geração de empregos, renda e oportunidades no Estado.
A proposta apresentada pelo governo estadual é transformar parte da produção agrícola em produtos de maior valor agregado, fortalecendo uma cadeia que conecta o campo à indústria e amplia os benefícios econômicos para os municípios.
Um dos principais exemplos dessa estratégia está em Nova Alvorada do Sul, onde a Atvos iniciou a implantação de uma unidade de etanol de milho integrada à estrutura já existente de produção de etanol de cana-de-açúcar. O investimento supera R$ 1 bilhão e a nova planta terá capacidade para processar cerca de 642 mil toneladas de milho por ano.
Para Riedel, a chegada de empreendimentos desse porte representa uma mudança na forma como Mato Grosso do Sul aproveita sua produção agropecuária. A intenção é estimular que a matéria-prima seja transformada dentro do próprio Estado, ampliando a geração de riqueza, tecnologia e empregos antes que os produtos deixem o território sul-mato-grossense.
Durante a entrega da licença de instalação da unidade, o governador destacou que o crescimento econômico precisa estar acompanhado de qualificação profissional para garantir que a população local esteja preparada para ocupar as novas vagas criadas pelos investimentos.
“A formação profissional precisa avançar antes da operação. Sem preparação, a indústria poderá gerar empregos no município, mas contratar parte relevante da mão de obra qualificada fora da região”, afirmou Riedel.
A construção da fábrica deverá mobilizar aproximadamente 2 mil trabalhadores, enquanto a operação permanente deve gerar pelo menos 100 empregos diretos, além de oportunidades indiretas em áreas como transporte, manutenção, logística, armazenagem e fornecimento de grãos.
Para atender essa demanda, mais de 300 alunos de Nova Alvorada do Sul já participam de cursos profissionalizantes oferecidos pelo Senai em áreas como elétrica, mecânica, eletrônica, automação e logística. O objetivo é formar trabalhadores da própria região para aproveitar as oportunidades abertas pela expansão industrial.
A estratégia estadual combina atração de investimentos privados, segurança jurídica, infraestrutura, licenciamento ambiental e qualificação profissional. A proposta é criar um ambiente capaz de estimular novos empreendimentos e fazer com que os resultados econômicos permaneçam nos municípios onde as empresas são instaladas.
Mato Grosso do Sul tem ampliado sua produção de milho nos últimos anos e busca transformar esse crescimento em uma cadeia industrial mais competitiva. Na segunda safra 2025/2026, o Estado cultivou aproximadamente 2,2 milhões de hectares, com produção estimada em mais de 11 milhões de toneladas.
A nova unidade da Atvos poderá consumir uma parcela significativa dessa produção, criando uma alternativa de mercado para os produtores rurais e reduzindo a necessidade de transportar grandes volumes para outras regiões do país.
A expectativa é que a industrialização também amplie a produção de derivados do milho. Quando estiver em plena capacidade, a unidade deverá produzir cerca de 273 milhões de litros de etanol por ano, além de 183 mil toneladas de DDG, utilizado na alimentação animal, e 13 mil toneladas de óleo de milho.
O empreendimento também prevê a utilização de biomassa e a implantação de uma unidade de biometano, com investimentos superiores a R$ 350 milhões, fortalecendo a integração entre energia renovável, agronegócio e indústria.
Além de Nova Alvorada do Sul, a Atvos avalia a implantação de uma futura unidade de etanol de milho em Costa Rica, com investimento projetado acima de R$ 1 bilhão. O projeto ainda depende do avanço de etapas como licenciamento, planejamento e definição do cronograma de execução.
Os investimentos são privados, mas o governo estadual afirma atuar na criação das condições necessárias para a instalação de novos empreendimentos, com medidas voltadas à infraestrutura, qualificação profissional e estabilidade para os investidores.
A estratégia defendida pela gestão Riedel busca transformar Mato Grosso do Sul em um Estado não apenas produtor de commodities, mas também capaz de processar sua própria produção, ampliando oportunidades econômicas e fortalecendo uma cadeia de empregos qualificados para a população.