Parte deles defende que o país deve se manter firme com os iranianos

Proposta de Trump para encerrar guerra com Irã divide republicanos

O acordo em negociação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra com o Irã provocou críticas de parte dos republicanos, que defendem uma postura mais rígida contra Teerã e temem que uma oportunidade de conter o regime iraniano seja desperdiçada.

 
 

O senador Ted Cruz, republicano do Texas, afirmou que a decisão de atacar o Irã foi a mais consequencial do segundo mandato de Trump e que o presidente não deveria recuar agora. “Se o resultado de tudo isso for um regime iraniano ainda comandado por islamistas que entoam ‘morte à América’, recebendo bilhões de dólares, podendo enriquecer urânio e desenvolver armas nucleares, e com controle efetivo sobre o Estreito de Ormuz, esse desfecho seria um erro desastroso”, escreveu Cruz na plataforma X.

O senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul e próximo de Trump, criticou qualquer acordo que deixe o Irã em posição de força na região e mantenha sua capacidade de atingir infraestrutura petrolífera no Golfo. O senador Roger Wicker, republicano do Mississippi e presidente do Comitê de Forças Armadas do Senado, questionou a proposta de cessar-fogo de 60 dias. “Tudo o que foi conquistado teria sido em vão!”, afirmou.


 

Trump descartou as críticas e disse que o acordo ainda não está “nem totalmente negociado”. “Não escutem os perdedores, que criticam algo sobre o qual não sabem nada”, escreveu em sua plataforma. O presidente afirmou que o entendimento em discussão é o oposto do pacto nuclear firmado pelo Irã durante o governo democrata de Barack Obama, do qual Trump retirou os EUA em seu primeiro mandato.

“Ambos os lados devem levar o tempo necessário e fazer isso direito. Não pode haver erros!”, disse Trump. Ele acrescentou que o bloqueio militar dos EUA a portos iranianos seguirá “em pleno vigor e efeito até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”.

 
 

A proposta também recebeu apoio. O senador Rand Paul, do Kentucky, defendeu a negociação. “A guerra praticamente sempre termina com negociações”, escreveu no X. “Os críticos das negociações de paz do presidente Trump deveriam dar a ele espaço para encontrar uma solução que coloque os interesses americanos em primeiro lugar.”

Segundo autoridades regionais ouvidas pela Associated Press no domingo, a proposta prevê o fim da guerra, a reabertura do Estreito de Ormuz e a entrega, pelo Irã, de seu estoque de urânio altamente enriquecido. Detalhes e prazos seriam definidos em uma janela posterior de 60 dias.

A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Desde então, o conflito custou ao menos US$ 29 bilhões aos contribuintes americanos e deixou 13 militares mortos. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta global de energia, abalou a economia mundial e elevou os preços da gasolina e de outros produtos.