Lançada em 2012, unidade aguarda formalização desde lei sancionada em 2015.

Prefeito quer instalar UPA para cães e gatos em 2020
Prédio do CCZ deve abrigar Unidade de Pronto Atendimento Veterinário. / Foto: Álvaro Rezende / Correio do Estado

Sete anos após ser lançado, o projeto da Unidade de Pronto Atendimento Veterinário (UPA-VET) deve finalmente sair do papel. Lançado em 2012, pelo então prefeito Nelson Trad Filho, o projeto passou por alterações e, segundo o atual chefe do Executivo, Marcos Trad (PSD), o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) deve receber a estrutura para reforçar o atendimento.

Segundo Trad, como não foram obtidas verbas federais para a construção da unidade, a prefeitura aplicará recursos próprios no CCZ. “Aguardamos as emendas de Brasília. Não vieram. Então estamos readequando o CCZ e vamos abrir lá uma ala”, disse ao Correio do Estado.

Ainda não há custo estimado para a reforma, já que o projeto está nas primeiras fases de elaboração. “Faremos com recursos próprios, mas não sabemos ainda quanto, porque estamos terminando algumas adaptações no projeto”, justificou, apontando que essas mudanças vão garantir o pleno atendimento aos animais.

Na época em que foi lançado, em julho de 2012, o projeto da UPA-VET era o de prestar atendimentos de urgência e emergência às populações canina e felina da Capital. A unidade também tem por objetivos oferecer primeiros socorros, consultas, orientações e medicação de urgência. Com a mudança de gestão naquele ano, a proposta demorou a chegar na Câmara Municipal. 

Agora, Trad garante que em 2020 entregará tudo. “Acreditamos que, no primeiro semestre, nós entregamos”, frisou. Também está prevista a mudança na estrutura do CCZ, com reforço no atendimento.

Conforme a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau), deve ser criado um órgão específico de saúde animal, que ficará sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov). O projeto de lei deve chegar ainda este ano à Câmara.

SITUAÇÃO

Com a falta de atendimento público, donos de animais devem recorrer a clínicas privadas ou a hospitais veterinários de universidades. Essa última opção, ainda que seja cobrada, é a única para pessoas de baixa renda.

Três instituições da Capital atendem a comunidade a partir de atividades que auxiliam no aprendizado dos acadêmicos – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp).

No Hospital Veterinário da UFMS, por exemplo, uma consulta custa R$ 50. No entanto, os preços sobem quando os procedimentos são mais complexos: o parto cesariana de uma gata ou cadela de até dez quilos custa R$ 180. Se o animal precisar de internação, a diária em uma unidade de terapia intensiva (UTI) fica em R$ 500.

HISTÓRICO

O projeto que autoriza a criação da unidade ficou aproximadamente dois anos parado, até o vereador Francisco de Almeida Telles, o Chiquinho Telles (PSD), apresentá-lo em setembro de 2014. Somente em agosto de 2015 o então prefeito Gilmar Olarte sancionou a lei.

A construção da UPA-VET tinha previsão de receber recursos da educação no orçamento municipal, que poderiam ser usados na obra. Porém, a lei acabou se tornando “letra morta”.

Durante a campanha de 2016, Marcos Trad prometeu tirar a unidade do papel. Com a falta de recursos, o chefe do Executivo fez apenas ações mais simples, como a criação do Conselho Municipal de Proteção e Bem-estar Animal (Combea), em 2017.

Em março de 2018, a prefeitura entregou a reforma do centro cirúrgico do CCZ, visando a construção da UPA-VET. Na ocasião, a promessa era de que a unidade seria instalada em um anexo ao CCZ, funcionando de segunda a domingo, das 7h às 23h. 

As cobranças aumentaram em 2018, como noticiou o Correio do Estado. Trad prometeu, em março daquele ano, que entregaria a unidade em seis meses. Em setembro, protetores de animais e membros de organizações não-governamentais (ONGs) foram à Câmara para pedir agilidade.

Em janeiro de 2019, o prefeito vetou emendas para a construção da UPA-VET, o que gerou reclamações do vereador Francisco Gonçalves Carvalho, o Veterinário Francisco (PSB). Já em maio, o prefeito disse que não havia recursos para a construção.

IMPASSE

O Conselho Municipal de Saúde (CMS) afirmou ter sido informado sobre o projeto ontem. O principal questionamento é em relação à fonte dos recursos para a UPA, já que não podem sair da verba para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma possível alternativa, já prevista no projeto, seria por meio de recursos da educação.