A Polícia Civil busca uma família suspeita de estelionato, que aplica o “golpe da pepita de ouro”. Segundo a delegada Célia Bezerra, titular da 4ª Delegacia, as vítimas são abordadas em um primeiro momento por uma mulher.
Na ocasião, ela se identifica como filiada ao Sindicato dos Garimpeiros de Sorriso (MT), apresentando inclusive uma falsa carteirinha.
Conforme a polícia, a mulher, com idade aparente de 50 anos, aborda as vítimas na estrada. Ela então tenta vender colares e pepitas, ressaltando que o material é ouro. Próximo a ela, ficam as filhas, um genro e uma neta.
“Ela diz que precisa vender o material para custear o tratamento da filha, que estaria doente. A mulher mostra uma corrente e as pepitas, vendendo por R$ 400 a corrente e R$ 200 cada pepita”, comentou ao G1 a delegada.
Abordagem
Uma pecuarista de 60 anos, que faz o trajeto entre a fazenda e Campo Grandex, teve o prejuízo de R$ 1 mil recentemente.“Eu viajo cerca de 40 km na volta da fazenda e costumo parar em Anhanduí para comer um lanche. Foi aí que ela me abordou, mostrando a carteirinha e dizendo que eu poderia conferir aquela joia. Eu disse que não estava interessada, porém ela insistiu e dizia que não pagava nada para ver”, explicou a vítima.
Assim que pegou o cordão masculino, a pecuarista disse que aparentemente parecia ouro, por estar reluzente. “Eu sempre comprava joias em leilão, então acreditava conhecer um pouco. Fui em uma lanchonete e pedi uma faca para testar a joia, na qual eles passaram um material e então conseguiram nos enganar. Peguei a diferença do dinheiro com o meu marido e a nora e paguei a mulher”, contou a vítima.
Enquanto isso, conforme a vítima, a suspeita teria retornado em um veículo, com placas de Santa Fé do Sul, onde estavam os seus parentes. “Ela buscou aquelas pepitas, me oferecendo e dizendo que eu poderia fazer a fundição. Percebi também que os dentes molares dela eram todos cobertos com aquele material. Quando ela saiu, fiquei um pouco desconfiada e decidi anotar a placa daquele carro”, afirmou ao G1 a pecuarista.
Assim que chegou em Campo Grande, a idosa procurou o joalheiro de sua confiança. “Ele fez o teste com reagente e disse que não sabia identificar ao certo o material, porém garantiu que não se tratava de ouro. Eu fiz o boletim de ocorrência e informei a polícia, quando eles contaram que a mulher e seus familiares estavam atrás de mim na estrada, muito próximos”, relembrou.
De acordo com a delegada, a polícia constatou que eles estariam no estado de São Paulo, possivelmente fazendo novas vítimas. Conforme Bezerra, a perícia constatou que o material não é ouro. “Nós enviamos uma carta precatória ao município de Santa Fé do Sul, em São Paulo, pois localizamos o veículo. Agora nosso interesse é descobrir se eles fizeram novas vítimas”, disse a delegada.
A pena para o crime de estelionato varia de um a cinco anos de prisão, além da multa. Já a formação de quadrilha tem uma pena que varia de um a três anos de prisão.