A Polícia Federal conseguiu recuperar nos aparelhos do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, mensagens nas quais ele debate com seu operador financeiro e cunhado, Fabiano Zettel, uma espécie de fila de pagamentos a autoridades.
Segundo pessoas próximas à investigação, Zettel repassava a Vorcaro a lista de débitos e este dizia quem deveria ser prioridade e quem podia aguardar para receber o dinheiro.
Os diálogos ainda indicam que, quanto maior a proximidade de Vorcaro com as autoridades que receberiam recursos, menos pressa em fazer o desembolso, na linha: "Esse é muito de casa, podemos pagar depois".
Segundo a coluna apurou, nomes de congressistas, em especial do Senado, aparecem nas trocas de textos entre o banqueiro e Zettel.
As conversas se assemelham muito às que já foram tornadas públicas em decisão de ontem do ministro André Mendonça, na qual ele justificou a nova prisão de Vorcaro e seu cunhado, além de dois servidores públicos que ameaçavam adversários do grupo —entre os alvos estavam jornalistas.
FABIANO ZETTEL diz a VORCARO: 'Belline cobrando. Paga?'. A resposta de DANIEL VORCARO foi: 'Claro'.
Belline era servidor de carreira do Banco Central. Ele ocupava um posto de chefia na área de fiscalização bancária e, segundo a PF, estava na folha de pagamentos do dono do Master.
Como a coluna revelou em janeiro, Polícia Federal e Ministério Público Federal acreditam já ter indícios suficientes para abrir uma apuração separada do caso original focada agora em suspeita de corrupção e compra de apoio parlamentar no Congresso Nacional, em especial no Senado.