Operação ainda depende do aval do Banco Central e daria à fintech de David Vélez uma licença que abre caminho para atuar como banco no país.
O Nubank fechou a aquisição de 100% do Banco Porto Real de Investimentos, passo que pode transformar a fintech em detentora de uma licença bancária no Brasil. A operação, no entanto, ainda precisa passar pelo crivo do Banco Central antes de ser concluída.
Caso o aval saia, a licença do Porto Real será incorporada ao conglomerado financeiro do Nubank. A intenção de obter esse tipo de autorização já havia sido comunicada ao mercado em dezembro de 2025, e agora a empresa avança na estratégia com a compra do banco carioca.
A sinalização do caminho, aliás, veio ainda no fim do ano passado. Questionado sobre a estratégia de aquisição, David Vélez foi direto: ‘Se comprarmos um banco, será algo pequeno, principalmente pela licença’. O Porto Real se encaixa nessa descrição.
Fundado em 1992, em Porto Real, no Rio de Janeiro, o Banco Porto Real de Investimentos tem porte reduzido.
Aliás, em março deste ano, a instituição registrava R$ 32,1 milhões em ativos, patrimônio líquido de R$ 31,4 milhões e carteira de crédito de R$ 9,6 milhões.
Antes do Nubank, o Grupo Fictor já havia tentado adquirir o Porto Real. A operação, porém, foi rejeitada pelo Banco Central por falta de capacidade patrimonial do grupo. O mesmo Grupo Fictor também tentou comprar o Banco Master antes desse anúncio.
A aposta do Nubank no Brasil
A fintech tem reforçado o discurso de que o país segue no centro da sua estratégia. Em nota, David Vélez destacou o peso do mercado brasileiro para a companhia:
‘O Brasil é onde o Nubank nasceu, cresceu e provou que serviços financeiros mais justos e simples são possíveis em escala. Treze anos depois, segue sendo nosso principal foco, um mercado onde ainda podemos expandir significativamente nossa participação e continuar impulsionando a transformação do setor’
A companhia atingiu 112 milhões de usuários em março deste ano e hoje já soma mais de 115 milhões de clientes. Também em março, o Nubank se associou à Febraban, a Federação Brasileira de Bancos.
Para 2026, a empresa prevê aportes de R$ 45 bilhões no mercado brasileiro, quase o dobro do investido nos dois anos anteriores. S egundo a companhia, o serviço já dá acesso a conta, crédito e produtos a 31,5 milhões de brasileiros.
Livia Chanes também comentou o rumo da empresa: ‘Nosso DNA de inovação segue intacto e seguimos comprometidos em aprofundar nossa relação com cada cliente, oferecendo mais soluções com a mesma simplicidade que sempre nos definiu’.
O pano de fundo regulatório
Afinal, a movimentação acontece em meio a mudanças nas regras do setor. Poucos dias antes de o Nubank comunicar ao mercado a intenção de conseguir a licença, em dezembro de 2025, o Banco Central publicou uma resolução que proíbe o uso de termos bancários por instituições sem a devida autorização.
O prazo de adequação das instituições, de até um ano, se encerra em novembro deste ano.
Antes de mirar o Porto Real, o Nubank também esteve em tratativas para adquirir o CGD, a Caixa Geral de Depósitos, no Brasil.
Por fim, o ativo, ligado ao Banco Caixa Geral, chegou a receber ofertas da MD Capital e da Garantia Capital. Em março deste ano, o Banco Caixa Geral tinha R$ 1,9 bilhão em ativos, patrimônio líquido de R$ 297,4 milhões e carteira de crédito de R$ 825 milhões.