Agetran recebe solicitações da população e analisa as condições de segurança de cada trecho.

"Ninguém respeita ninguém": como pedestre pode pedir faixas e quebra-molas
Ciclista aguarda para atravessar a via. / Foto: Osmar Veiga.

Você já precisou esperar vários minutos para atravessar rua movimentada ou dar uma volta maior até encontrar uma faixa de pedestres? Em Campo Grande, moradores podem solicitar a instalação de semáforos, faixas elevadas e quebra-molas para melhorar a segurança no trânsito.

Moradores de Campo Grande podem solicitar semáforos, faixas elevadas e redutores de velocidade à Agetran, que em 2026 instalou 14 travessias elevadas, 12 semáforos e 45 redutores. Os pedidos são feitos no protocolo da agência, de segunda a sexta, das 7h30 às 13h30, e passam por análise técnica. Reforços de sinalização podem ser pedidos pelo 156. A solicitação não garante a obra. Moradores relatam que motoristas ainda desrespeitam as faixas.
Em 2026, a agência instalou 14 travessias elevadas, 12 semáforos e 45 redutores de velocidade na Capital. As intervenções levam em conta a circulação de veículos e pessoas, principalmente nas proximidades de escolas, unidades de saúde e estabelecimentos comerciais.

Na Avenida Rita Vieira de Andrade, em frente ao Residencial Ilha Serena, uma travessia elevada e outra faixa de pedestres, localizada a poucos metros, facilitam o acesso dos moradores a uma padaria e outros estabelecimentos comerciais da região.

Apesar da sinalização, a gerente operacional da panificadora, Valéria Martins, de 37 anos, afirma que muitos motoristas ainda desrespeitam a preferência de quem atravessa a via. "Os carros não param, mesmo com a faixa elevada. Tem carro que para em cima da faixa. Ninguém respeita ninguém aqui", relatou.

A reportagem também enfrentou dificuldades para atravessar a avenida. Mesmo fazendo sinais com as mãos para indicar a intenção de cruzar a via, a repórter precisou esperar até que os veículos parassem.

Valéria trabalha no estabelecimento há um ano e seis meses e conta que já presenciou um acidente envolvendo motocicleta e pedestre que tentava atravessar a avenida. Segundo ela, a pessoa sofreu ferimentos leves. A gerente também relata colisões traseiras entre veículos, principalmente quando motoristas param próximo à faixa sem sinalizar. "Esse é o mais frequente. Eles não sinalizam antes de parar e o carro de trás acaba batendo", explicou.

Diante de situações como essa, a Agetran reforça que a segurança depende da atenção de todos, mesmo nos locais que já receberam melhorias. A orientação é que os pedestres observem os dois sentidos da via antes de atravessar, enquanto os motoristas devem reduzir a velocidade e respeitar a preferência de quem utiliza a faixa.

No cruzamento das Ruas 25 de Dezembro e Maracaju, na região central, a instalação de semáforo e de faixa de pedestres facilitou a travessia. O trecho concentra empresas, comércios e clínicas médicas, com circulação de idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

A lojista Roseli dos Santos, de 49 anos, conta que a mudança ocorreu há aproximadamente um mês e meio. "Melhorou, sim, facilita para todo mundo", afirmou. Ela também percebeu reflexos positivos no comércio, com mais pessoas parando para conhecer a loja e acompanhando o estabelecimento nas redes sociais.

Como solicitar? - Moradores que identificarem a necessidade de melhorias na sinalização podem solicitar a instalação de equipamentos presencialmente no setor de protocolo da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), localizado na Avenida Gury Marques, 2.395, Bairro Universitário. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h30, e os pedidos passam por análise técnica. Já as solicitações de reforço da sinalização existente, como pintura de faixas e manutenção de placas, podem ser feitas pelo telefone 156.

Após o registro, equipes técnicas avaliam as características da via, o fluxo de veículos e pedestres, a acessibilidade e os riscos de acidentes. A presença de escolas, hospitais, mercados, condomínios e outros estabelecimentos que concentram grande circulação de pessoas também é considerada.

A Agetran esclarece que a solicitação não garante a instalação dos equipamentos. A decisão depende de estudos de engenharia de tráfego e das normas previstas no CTB (Código de Trânsito Brasileiro), que orientam as intervenções para prevenir acidentes e melhorar a mobilidade urbana.