Governador de São Paulo afirmou que relação entre o ministro do STF e Daniel Vorcaro precisa ser esclarecida e cobrou transparência na apuração do caso Banco Master.

“Ninguém está acima da lei”, diz Tarcísio ao defender investigação sobre Moraes
/ Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a apuração das informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Para o governador, eventuais responsabilidades devem ser analisadas dentro do devido processo legal, sem distinção entre autoridades.

A declaração foi feita na quarta-feira (2), durante uma visita às obras da Linha 2-Verde do Metrô, na zona leste de São Paulo. Questionado sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes, Tarcísio afirmou que os fatos precisam ser esclarecidos antes de qualquer conclusão.

“Não podemos partir do pressuposto de que aconteceu isso ou aquilo. Tudo tem que ser explicado. Você tem de ter o devido processo legal.”
Ao ser questionado sobre a possibilidade de abertura de um processo de impeachment contra Moraes no Senado, o governador evitou antecipar uma posição, mas defendeu o avanço das investigações.

“Havendo responsabilidade, ninguém está acima da lei. Não existe autoridade que esteja acima da lei. O presidente da República não está acima da lei, ministro nenhum do Supremo está acima da lei, senador nenhum está acima da lei, governador nenhum está acima da lei. A lei é para todos.”
 
Governador fala em crise de confiança no STF
Tarcísio também afirmou que o Supremo atravessa um momento delicado e avaliou que a confiança nas instituições depende de esclarecimentos públicos sobre os fatos.

“A confiança nas instituições não vai ser recuperada com silêncio ou corporativismo. A confiança nas instituições vai ser recuperada com transparência, investigação séria e responsabilização.”
O governador classificou a situação como uma crise “muito grave e perigosa” e afirmou que o STF está “sob suspeição” diante das informações que vieram a público.

Sobre uma eventual renúncia de Moraes ao cargo, Tarcísio afirmou que a decisão seria de “foro íntimo”.

 
Tarcísio nega envolvimento com evento ligado ao Banco Master
O governador também foi questionado sobre seu nome aparecer em conversas relacionadas a um evento jurídico que seria promovido pelo Banco Master em Londres. Nas mensagens, Moraes teria demonstrado incômodo com o destaque dado à participação de Tarcísio no encontro, que acabou não sendo realizado.

Tarcísio negou ter recebido convite oficial para participar da programação e afirmou que não teria comparecido mesmo se fosse convidado.

“Não confirmei mesmo. Não confirmaria, não iria mesmo.”
 
Governador cobra explicações de integrantes do PT
Durante a mesma entrevista, Tarcísio relacionou o caso Banco Master a integrantes do PT e citou especificamente nomes ligados à legenda na Bahia. O governador afirmou que essas pessoas devem prestar esclarecimentos sobre eventuais relações com Vorcaro.

“Você veja o envolvimento do PT. A cúpula do PT da Bahia toda envolvida com o Vorcaro. Essas pessoas têm de prestar esclarecimentos, têm de ser chamadas para dizer o que fizeram, quando fizeram, por que fizeram, quais as motivações.”
Tarcísio também procurou diferenciar sua campanha eleitoral das relações mencionadas no caso.

“A minha campanha, não. Porque não temos nada com isso.”
As declarações ocorrem em meio à divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes, que passaram a ser analisadas dentro das investigações relacionadas ao Banco Master. O governador defende que os elementos sejam examinados formalmente e que eventuais responsabilidades sejam definidas a partir das provas e do devido processo legal.