O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) encerrou, na noite de sábado (24), a “Caminhada da Liberdade” com um discurso inflamado na Praça do Cruzeiro, em Brasília.
O ato, que reuniu apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi marcado pela defesa da instalação de Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs) e por críticas diretas ao governo federal, ao Judiciário e a líderes do Congresso. O pronunciamento ocorreu horas após um raio atingir a área de concentração dos manifestantes, ferindo mais de 70 pessoas.
Em seu discurso, Ferreira cobrou com veemência a abertura das CPMIs do INSS e do Banco Master, classificando-as como um “grito” da população. “Nós queremos a instalação da CPMI do INSS e da CPMI do Banco Master. Nós estamos aqui como um grito de quem não aguenta mais para saber e punir quem teve ações criminosas”, declarou. Ele atacou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), chamando-o de omisso, e questionou supostos privilégios e irregularidades.
O parlamentar direcionou parte de sua fala ao STF e ao governo Lula, citando um suposto contrato milionário envolvendo familiar de ministro e criticando a carga tributária. “O brasileiro paga altas contas, paga impostos, mas utilizam recursos para desviar da sua finalidade”, afirmou. Ele também mencionou o filho do presidente: “Enquanto o povo sofre, você vê pessoas como o filho do Lula tendo ‘mesadinha’. Isso vai acabar, porque o Brasil vai acordar. Acorda, Brasil!”.
“O Nordeste vai acordar”
Um dos momentos de maior impacto foi quando Ferreira se dirigiu à região Nordeste, buscando afastar qualquer tom de hostilidade. “Se o PT chegou lá e manipulou essas pessoas, é porque nós não conseguimos chegar perto delas para levar a verdade”, disse, concluindo com a frase que repercutiu: “o Nordeste vai ser livre e vai acordar”. Ele também vinculou as pautas da caminhada a demandas sociais, afirmando que a mobilização era também por saúde e educação de qualidade, recursos que, em sua visão, são desviados.
A “Caminhada pela Liberdade”
A mobilização, iniciada por Nikolas Ferreira na última segunda-feira (19) em Minas Gerais, percorreu cerca de 240 quilômetros até Brasília, passando por Goiás. O ato tinha entre seus objetivos declarados pedir anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, cujos presos estão no Complexo Penitenciário da Papuda. No entanto, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, a caminhada foi impedida de se aproximar das imediações do presídio, onde manifestações estão proibidas.