Segundo as análises, milho e algodão apresentaram os maiores índices de ocorrência.

 Nematoides foram encontrados em quase 90% de amostras analisadas no Centro-Oeste
Expedição Caçadores de Nematoides coletou amostras em 24 propriedades rurais. / Foto: Vitalforce/Divulgação

Uma das pragas mais nocivas à agricultura brasileira, os nematoides ainda estão amplamente presentes em lavouras do Centro-Oeste. Um levantamento realizado pela expedição Caçadores de Nematoides, da companhia de bioinsumos Vitalforce, identificou que a espécie de nematoide Pratylenchus brachyurus estava em 87,5% das amostras coletadas nas 24 propriedades rurais visitadas entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Ao longo de 14 dias de campo, a equipe visitou 12 municípios espalhados pelos três Estados. A presença de Pratylenchus brachyurus foi registrada em todas as regiões visitadas e em culturas como milho, algodão, feijão, milho tiguera, sorgo e braquiária.

Segundo as análises, milho e algodão responderam pela maior parte das coletas e apresentaram os maiores índices de ocorrência. No milho, a espécie foi encontrada em 34 das 36 amostras analisadas, frequência de 94,4%. No algodão, o percentual foi o mesmo: 17 das 18 amostras apresentaram o nematoide. Juntas, as duas culturas responderam por mais de dois terços das amostras avaliadas durante a expedição.

As plantas daninhas também apareceram como hospedeiras dos nematoides durante a expedição, em sete das nove amostras coletadas.

Considerando todas as espécies do gênero Pratylenchus, a frequência observada nas amostras chegou a 91,3%.
De acordo com a Vitalforce, embora a Pratylenchus brachyurus tenha sido a espécie mais frequente nas áreas avaliadas, as maiores populações observadas ocorreram em amostras de feijão infestadas por Meloidogyne, com registros de até 7.380 nematoides por grama de raiz.

“Os nematoides não se distribuem de forma uniforme nem se comportam da mesma maneira em todas as áreas. Cada espécie responde ao sistema de produção, ao histórico da propriedade e às culturas implantadas. Por isso, o diagnóstico é o ponto de partida para qualquer decisão de manejo”, disse Lucas Silva, desenvolvedor de mercado da Vitalforce e mestre em Agronomia e Proteção de Plantas, em nota.

Angélica Calandrelli, doutora em Agronomia e especialista em nematologia, acrescenta que o controle dos nematoides não deve considerar apenas a cultura comercial, mas também a sucessão de culturas, a vegetação presente na área e o histórico da propriedade. “É esse conjunto de informações que permite construir um manejo mais eficiente ao longo das safras”, afirmou.