Mais de 80 países condenam as ações unilaterais de Israel na Cisjordânia, afirmando que violam o direito internacional e ameaçam a paz na região.

Mais de 80 países criticam avanço israelense na Cisjordânia
Declaração conjunta foi apresentada na sede da ONU, em Nova York.

Os mais de 80 países rejeitaram todas as medidas com vistas a alterar a composição demográfica, o caráter e o estatuto do Território Palestino ocupado desde 1967.

Na terça-feira, na sede da organização, em Nova York, o representante palestino Riyad Mansour leu uma declaração conjunta, assinada por 85 países, na qual “condenam veementemente as decisões e medidas unilaterais de Israel que visam expandir a presença ilegal do país na Cisjordânia”. 

“Tais decisões são contrárias às obrigações de Israel perante o direito internacional e devem ser imediatamente revertidas. Sublinhamos, a este respeito, a nossa forte oposição a qualquer forma de anexação”, diz o documento lido por Mansour, rodeado por dezenas de embaixadores.

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Os mais de 80 países rejeitaram todas as medidas com vistas a alterar a composição demográfica, o caráter e o estatuto do Território Palestino ocupado desde 1967.

“Tais medidas violam o direito internacional, minam os esforços pela paz e estabilidade na região, contrariam o Plano Abrangente e comprometem a perspectiva de se alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito.”

Os signatários da declaração reafirmaram o compromisso de tomar medidas concretas para “ajudar a concretizar o direito do povo palestino à autodeterminação e para combater a política ilegal de colonatos no território palestino ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, bem como as políticas e ameaças de deslocamento forçado e anexação”.

Na rede social X, a Missão da Palestina publicou as bandeiras de todos os países que assinaram o documento. Entre os países que não assinaram a declaração, destaca-se os Estados Unidos.

Registro de terras
O documento é uma resposta à decisão anunciada no domingo pelo governo de Israel, que aprovou a reabertura do processo de registro de terras na Cisjordânia ocupada, pela primeira vez desde 1967, o que permitirá a Tel Aviv registrar terras no palestino de forma vinculativa e definitiva.

A iniciativa foi apresentada pelo ministro das Finanças e líder ultranacionalista, Bezalel Smotrich, pelo ministro da Justiça, Yariv Levin, e pelo ministro da Defesa, Israel Katz, com a intenção de regular as propriedades agrícolas e definir as áreas ocupadas na Cisjordânia, em um processo burocrático cuja complexidade levou Israel a abandoná-lo há décadas.

A ONU, diversos países árabes e a União Europeia já haviam denunciado na segunda-feira as novas medidas de Israel que reforçam o controle sobre a Cisjordânia ocupada.

 O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a decisão de Tel Aviv e instou Israel a reverter imediatamente as medidas.

– A decisão poderá levar à expropriação de propriedades palestinas e arrisca expandir o controle israelense sobre as terras da região. Tais medidas, incluindo a presença contínua de Israel no território palestino ocupado, não são apenas desestabilizadoras, mas, como lembrou o Tribunal Internacional de Justiça, são ilegais – indicou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral.

Guterres advertiu que a atual política israelense destrói a perspectiva de uma solução de dois Estados.

– O secretário-geral reitera que todos os colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e o regime a eles associado, não têm qualquer validade jurídica e violam flagrantemente o direito internacional e as resoluções relevantes da ONU – insistiu Dujarric.

A atividade de colonatos israelenses continuou sob todos os governos desde 1967, mas se intensificou significativamente durante a atual administração de Benjamin Netanyahu, particularmente desde o início da guerra em Gaza, em 7 de outubro de 2023.

Além de Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, mais de 500 mil israelenses vivem atualmente na Cisjordânia, em colônias que a ONU considera ilegais segundo o direito internacional.