Duas adolescentes foram liberadas, mas duas ainda seguem apreendidas. Garota foi agredida com pau e facão; grupo, que chegou a fazer cova para vítima, filmou toda ação.
A mãe da adolescente de 15 anos que foi torturada por outras quatro menores, há quase um ano, se revoltou com a liberação de duas delas - todas foram condenadas há 3 anos de internação pelo ato infracional. As garotas, com idade entre 13 e 16 anos, filmaram toda a ação, que teria sido cometido por ciúmes, em Trindade, Região Metropolitana de Goiânia. Para a mulher, a soltura foi um erro.
"Para mim elas são psicopatas. Então eu não acredito que a cadeia melhora psicopata, elas tinham que cumprir os três anos e sair para uma clínica psiquiátrica”, afirmou a mulher, que preferiu não se identificar.
A sessão de tortura durou 4 horas e aconteceu no dia 29 de setembro do ano passado. Após ser esfaqueada e agredida com pauladas, a menina, ainda com 14 anos, foi resgatada por uma mulher que ouviu os gritos dela. Até mesmo uma cova foi feita no quintal para que a menina fosse sepultada. A motivação seria a suposta aproximação da vítima com o namorado de uma delas.
Apesar da condenação, as menores devem ser avaliadas semestralmente, Não é possível obter detalhes sobre o processo, uma vez que ele corre em segredo de Justiça. No entanto, segundo a Polícia Civil, uma das garotas foi solta no mês de maio e a outra, na última quinta-feira (31).
Ambas teriam agido com menor intensidade no caso. A que foi liberada mais antes foi quem registrou as cenas com um celular. Já a outra iria participar das agressões, mas acabou chegando atrasada, depois que a vítima já havia fugido.
As outras duas menores, que aparecem no vídeo agredindo a vítima, seguem apreendidas.
A delegada que presidiu o inquérito, Renata Vieira, acredita que as duas menores soltas não devem voltar a denegrir. "Por mais que elas tenham feito um ato de muita crueldade, acredito que o tempo que elas passaram lá no Centro de Interação, talvez elas tenham tido, realmente, consciência e que o ato delas foi muito violento e que não volte a repetir", explica.
Drama
Apesar de passado quase um ano, a adolescente ainda sofre com sequelas da tortura. "O braço, porque eu fiquei sem o movimento dele. O movimento que está voltando agora por causa das cirurgias que eu fiz. Estou fazendo fisioterapia", pontua.
As marcas de facada no braço ainda estão presentes e a cabeça ainda dói. Além disso, segundo a mãe dela, a filha sofreu uma hemorragia profunda. Por conta disso, até agora o número de plaquetas não voltou ao normal.
“O médico comprovou que foi em questão da hemorragia do dia da tortura. Se chegar a parar, ela vai precisar de transplante. E aí, como que vai fazer?", questiona.
Em nota enviada à TV Anhanguera, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que há uma solicitação para consulta da menina com hematologista, em Trindade. Destacou ainda que a paciente está priorizada no sistema da Central de Regulação da capital.
Resgate
A menina foi auxiliada por uma mulher, que assistia a um programa de televisão quando foi surpreendida pelos gritos da vítima. Ela olhou pelo muro e viu a menor machucada.
“Minha filha ajudou ela a pular o muro. Coloquei ela para dentro e tranquei as portas porque não sabia se tinha alguém atrás. A minha intenção foi ajudar. Mandei minha menina chamar a mãe dela na casa dela”, declarou a mulher, que prefere não ser identificada. Em seguida, a adolescente foi levada de carro para um hospital.
Após ser apreendida e relatar o que aconteceu, uma das menores, de 14 anos, se indignou porque a vítima conseguiu escapar. "Todo mundo aqui estava com raiva dela. Porque ela não gosta da gente por causa desse negócio de namoradinho. No nosso pensamento, íamos bater nela, ela ia morrer e nós íamos enterrar ela. Só que aí não deu certo porque nós somos a frouxa, sabe. Nós não damos conta de começar o serviço e terminar", disse.