Lula foi à FAO e não poupou ninguém: detonou a ONU, irritou-se com Trump e cobrou paz com hora marcada. Para ele, quatro anos de guerra na Ucrânia já bastam.

 Lula perde a paciência com a ONU:
Lula foi à FAO e não poupou ninguém: detonou a ONU, irritou-se com Trump e cobrou paz com hora marcada. Para ele, quatro anos de guerra na Ucrânia já bastam. / Foto: Getty Images

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi direto ao ponto nesta quarta-feira (4). Em evento da FAO, a agência da ONU para alimentação e agricultura, ele rasgou o verbo contra a própria organização. Além disso, mirou no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A ONU no banco dos réus
Lula afirmou que a ONU perdeu credibilidade. Segundo ele, a organização não cumpre o que está escrito em sua carta de criação, de 1945. Portanto, para o presidente brasileiro, o problema não é novo é estrutural.

A crítica foi direta: “A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores de paz.”

Em seguida, Lula questionou a inércia da organização diante dos conflitos globais. Por que a ONU ainda não convocou uma conferência mundial para debater as guerras? Para ele, a omissão é incompreensível.

O exemplo da Rússia e Ucrânia
Lula usou a guerra entre Rússia e Ucrânia para ilustrar sua frustração. O conflito já dura quatro anos. Consequentemente, segundo ele, todo mundo já sabe como vai terminar. Portanto, por que não acelerar o acordo?

“O Putin vai ficar com o que conquistou, o Zelensky vai se contentar com o que já perdeu e vai ter um acordo! Se é isso, porque não fazem logo?”, questionou Lula diante dos presentes.
A lógica do presidente é simples: se o desfecho já está desenhado, cada dia de guerra significa apenas mais mortes. Assim, a demora seria uma escolha política não uma inevitabilidade.

A cutucada em Trump
Lula também reservou críticas para Donald Trump. O presidente americano tem usado o conflito com o Irã para exaltar o poderio militar dos EUA. Isso irritou o brasileiro.

“Vocês acham normal o presidente Trump ficar o dia todo dizendo: Eu tenho o maior navio do mundo! Eu tenho o maior Exército do mundo?”, provocou Lula.

Para ele, Trump deveria mudar o discurso. Em vez de celebrar armas e exércitos, o presidente americano poderia destacar a capacidade de produção e distribuição de alimentos dos EUA. “Era muito mais simples e soaria melhor nos nossos ouvidos”, completou.

O contexto: guerra no Irã no quinto dia
O discurso de Lula ocorre em meio à escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã. Na última segunda-feira (2), Trump disse à CNN que as forças americanas estão “dando uma surra” no Irã. Além disso, prometeu que a “grande onda” ainda está por vir.

Portanto, enquanto Trump celebra o poder militar, Lula cobra diplomacia. Os dois líderes representam visões opostas sobre como o mundo deve lidar com os conflitos do século XXI. E, nesta quarta-feira, o presidente brasileiro deixou isso muito claro sem meias palavras.