O país enfrenta onda de manifestações, apagão da internet e acusações de interferência externa.
A situação no Irã é alarmante e tem escalado rapidamente nos últimos dias. Há mais de 48 horas, a internet foi bloqueada no país, silenciando a voz da população em meio a uma onda de protestos que ganha força a cada dia. A organização NetBlocks, que monitora a liberdade de internet ao redor do mundo, confirmou o bloqueio, que dificulta a comunicação e o fluxo de informações sobre o que está acontecendo nas ruas iranianas.
Acusações e reações internacionais
O governo iraniano, por sua vez, atribui a escalada da crise à influência de forças externas, acusando diretamente os Estados Unidos de fomentarem "atos subversivos violentos e vandalismo generalizado".
A resposta de Donald Trump, atual presidente dos EUA, não tardou. Ele afirmou que o Irã passa por "sérios apuros" e enviou um alerta com tom de ameaça.
"É melhor não começarem a atirar, porque nós também vamos começar a atirar" - alertou Trump.
A declaração acirrou ainda mais os ânimos e aumentou a tensão em um momento já delicado.
A ONU também se manifestou, expressando preocupação com as mortes e reforçando o direito universal à manifestação pacífica.
"Em qualquer lugar do mundo, as pessoas têm o direito de se manifestar pacificamente, e os governos têm a responsabilidade de proteger esse direito" - disse Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU.Oposição se movimenta e regime endurece
Enquanto a crise se agrava, exilados iranianos tentam se organizar para ganhar força política. Reza Pahlavi, filho do último xá, declarou que os protestos entraram em uma nova etapa e revelou planos de retornar ao país.
"Nosso objetivo não é mais apenas ir às ruas. É nos prepararmos para tomar e manter o controle dos centros urbanos" - declarou Pahlavi em vídeo nas redes sociais.
Do outro lado, o líder supremo Ali Khamenei, em um discurso televisionado na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, reafirmou a firmeza do regime, declarando que a República Islâmica "chegou ao poder através do sangue de centenas de milhares de pessoas honradas" e que não irá recuar diante das manifestações.
Pressão europeia
Líderes europeus também se manifestaram sobre a crise no Irã. Em uma nota conjunta, Emmanuel Macron (França), Keir Starmer (Reino Unido) e Friedrich Merz (Alemanha) defenderam que o governo iraniano "tem a responsabilidade de proteger sua própria população" e deve garantir a liberdade de expressão e reunião pacífica sem temor de punições.
A situação no Irã segue tensa e imprevisível, com protestos nas ruas, censura da internet, acusações de interferência externa e pressões internacionais. O futuro do país permanece incerto.