Bolsa brasileira avançou com força, teve apenas três quedas no índice e encontrou suporte no recuo do petróleo, no câmbio mais leve e na melhora do humor global.

Ibovespa sobe forte, ignora guerra e encosta nos 186 mil pontos
/ Foto: Ibovespa/CanvaPro

O Ibovespa fechou em alta de 1,48% nesta sessão, aos 185.216,56 pontos, em um pregão marcado por apetite ao risco, recuo do dólar comercial para a casa de R$ 5,20 e queda dos juros futuros. O movimento positivo veio em meio a uma leitura mais otimista dos mercados sobre a guerra no Oriente Médio, mesmo sem qualquer solução concreta no conflito.

A sessão foi amplamente favorável para os ativos locais. Apenas três ações fecharam no vermelho no índice, lideradas por PRIO (PRIO3), que acompanhou a queda do petróleo no mercado internacional. Ainda assim, o Brent continuou acima de US$ 100 por barril, mantendo o alerta geopolítico e inflacionário no radar.

Mercado sobe com esperança de alívio na guerra
O gatilho principal do pregão foi a percepção de que Donald Trump estaria disposto a buscar uma saída negociada para a crise. Mesmo com o Irã negando conversas formais e mantendo ataques, os investidores reagiram ao simples sinal de que a Casa Branca tenta reduzir a intensidade do confronto.

Para Alison Correia, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos, o mercado operou nesta quarta-feira com base nessa expectativa.

“Hoje a bolsa sobe em um cenário mais otimista em relação à guerra. O dólar voltou pra casa dos R$ 5,20. E o Trump aparentemente está com um plano para apaziguar a questão da guerra”, afirmou.

Segundo ele, ainda que o cenário siga indefinido, a mera possibilidade de uma acomodação já foi suficiente para animar os mercados.

“Somente com essa possibilidade, que ainda é apenas uma possibilidade e nada concreto, os mercados animam com o petróleo caindo”, disse.

Petróleo recua, mas ainda segue em nível elevado
A queda do petróleo ajudou a aliviar a pressão sobre inflação, juros e ativos de risco. No entanto, o alívio veio com ressalvas. O barril ainda opera em patamar elevado e continua refletindo o tamanho da incerteza no Oriente Médio.

Na avaliação de Alison, Trump tem interesse direto em encerrar o conflito antes que o custo político e econômico se torne maior.

“Eu vejo que o Trump é o maior interessado que isso acabe logo porque está ficando muito caro”, disse. “Se ele encerra agora com esse movimento do Irã no Estreito de Ormuz, de certa forma é uma derrota para ele.”

O analista pondera que, embora os Estados Unidos tenham conseguido enfraquecer o poder militar iraniano, o custo da guerra já começa a pesar.
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“Tivemos várias baixas de militares americanos, e o custo bilionário que isso vai causar vai com certeza afetar os cofres norte-americanos e impactar de forma negativa a questão inflacionária”, afirmou.

Dólar cai e juros futuros impulsionam ações domésticas
No Brasil, o recuo do dólar e da curva de juros deu força adicional à bolsa. Esse movimento favoreceu especialmente empresas mais sensíveis ao custo do dinheiro e à dinâmica de consumo.

“Com a expectativa de acordo em relação à guerra, também os juros futuros caem e impulsionam ações de empresas de consumo e varejo da nossa bolsa como MRV, Cyrela, C&A e Assaí”, explicou Alison.

A leitura é de que, em um ambiente de menor estresse externo e menor pressão sobre energia, o mercado passa a reprecificar ativos domésticos com mais otimismo.

B3 lidera negociações do pregão
Entre os destaques do dia, B3 (B3SA3) foi a ação mais negociada da sessão e subiu 3,57%. O papel simbolizou bem o tom comprador do mercado, em um pregão de alta espalhada e maior disposição para risco.

O fechamento também mostrou força técnica importante. Não foi uma sessão puxada por poucos nomes. Ao contrário, o avanço foi disseminado e reforçou a percepção de que o investidor comprou bolsa de forma ampla.

PRIO cai com petróleo; Braskem devolve parte da alta
No lado negativo, PRIO3 liderou as perdas do índice justamente por acompanhar a baixa do petróleo. Já Braskem também recuou, após a forte alta registrada no pregão anterior.

Esse movimento mostra que, mesmo em um dia positivo para a bolsa, o mercado fez ajustes setoriais relevantes, especialmente em papéis diretamente ligados à dinâmica das commodities.

Ruído político também entrou na conta
Além do cenário externo, o mercado também reagiu ao noticiário político doméstico. Alison destacou que uma nova pesquisa mostrando desaprovação de Lula acima de 60% ajudou a reforçar uma leitura mais favorável ao ambiente de mercado.

“Hoje tivemos também uma pesquisa mostrando que a desaprovação do Lula ultrapassou 60%, a maior taxa já registrada. Isso joga muito a favor do Flávio Bolsonaro, o que agrada em cheio o mercado e também ajuda o Ibovespa a subir”, afirmou.