O desabamento de ponte em Guia Lopes da Laguna, no começo de janeiro, acendeu a luz de alerta para o governo de Mato Grosso do Sul, que contratará em caráter emergencial perícia técnicas em outras 34 estruturas de concreto que dividem uma mesma origem: foram lançadas num pacote em 2011 e tiveram projetos assinados pelo engenheiro Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano. Servidor da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), ele foi alvo das operações Lama Asfáltica, realizada em 9 de julho pela PF (Polícia Federal), e de força-tarefa do MPE (Ministério Público Estadual) que apura irregularidades em obras.
“Teve um problema numa ponte desse pacote. Caiu por completo e nós fizemos uma auditoria que identificou falhas de projeto. Tendo esse laudo técnico em mãos, por questão de responsabilidade, estamos contratando perícia técnica nas outras pontes. Para que possa verificar se existe algum grau de comprometimento ou não. Não estamos afirmando que as outras pontes têm o mesmo problema”, afirma o titular da Seinfra (Secretaria Estadual de Infraestrutura), Ednei Marcelo Miglioli.
No trabalho, as obras, que tiveram custo médio de R$ 30 milhões, oriundos do Ministério da Integração Nacional, terão os projetos analisados e visitas de técnicos. “O projeto da ponte que caiu foi desenvolvido aqui na Agesul pelo engenheiro Wilson Roberto Mariano, que também atesta o projeto das outras pontes. Ficamos surpresos com o resultado. Isso faz com que a gente tome algumas ações preventivas, mas que a obrigação e a responsabilidade nos exige”, diz o secretário.
A perícia será contratada com dispensa de licitação. Conforme Miglioli, será adotado o regime de emergência, com apresentação de três orçamentos. A opção será pelo menor preço. No caso da ponte que desabou, a Seinfra contratou um engenheiro de forma emergencial, que identificou a falha no projeto.
De acordo com o secretário, três motivos fundamentam a contratação de uma consultoria externa. “Primeiro, esse é um trabalho especializado e não tenho aqui nenhuma pessoa habilitada a fazer esse trabalho. Segundo, minha estruturara é pequena. Terceiro, um relatório feito pela própria secretaria, independente do resultado, ele pode ser questionado de alguma maneira”, salienta Miglioli. Não há prazo para o começo do trabalho e nem tempo estimado de duração.