Trabalho doméstico trouxe muitas conquistas e orgulho na vida de Dona Josenilda.

Especial Semana da Mulher: De doméstica a Chef Gourmet
Josenilda cursa o último ano de Gastronomia na Unigran. / Foto: Divulgação

A rotina de trabalho doméstico de dona Josenilda Ramos dos Santos, de 49 anos, começou cedo. Ainda criança, aos 9 anos, ela passou a trabalhar fora de casa, fazendo limpezas em residências. Apesar das dificuldades, é com essa profissão que ela conseguiu realizar muitos sonhos e agora está prestes a concluir o curso de tecnólogo em Gastronomia na Unigran (Centro Universitário da Grande Dourados).

Josenilda nasceu em Naviraí (MS), mas já se considera uma douradense, pois mora no município há mais de 30 anos. "Me orgulho do meu trabalho, pois foi através dele que consegui conquistar a casa própria, ajudar no sustento e formação acadêmica da minha filha e hoje pago a minha faculdade", relatou Josenilda.

Para que o sonho de se tornar uma tecnóloga em gastronomia se concretize, Josenilda batalha bastante, tornando-se um exemplo de superação e força de vontade. Todos os dias ela sai cedo de casa, percorre alguns quilômetros de bicicleta até a residência onde trabalha, no Jardim Europa. "Chego a tardezinha, tomo um banho e vou correndo para a faculdade, de bicicleta também, volto só depois das 22h", afirmou a doméstica.

Josenilda tem planos para quando terminar a faculdade. "Pretendo continuar me aperfeiçoando nos estudos e quero conhecer a Itália, que é uma referência mundial em gastronomia", destacou.

A jovem Luana Ramos Batista, de 24 anos, filha de dona Josenilda relata que sente muito orgulho da mãe. "Ela sempre trabalhou de doméstica e fez de tudo por mim a vida toda. Depois que me casei e terminei a faculdade de pedagogia, ela iniciou a dela".

"Tive uma filha na adolescência, desde o início ela sempre cuidou de mim e da minha filha, nunca me deixou parar de estudar, sempre se ‘virou nos 30’. Sendo assim eu devo, sem dispensar o auxílio do meu pai e do meu esposo, tudo a ela", contou a jovem.

Em entrevista ao PROGRESSO, a Presidente da Associação das Empregadas Domésticas de Dourados, Rosimar Rosa Vieira, foi enfática ao dizer que a classe merece respeito. "As domésticas podem sim viajar para praia, ter carro, é uma profissão digna. Infelizmente na minha época não éramos tratadas com dignidade na maioria dos lugares. Mas hoje podemos viver uma vida diferente".