Educadores apontam assuntos com potencial para aparecer nas questões e na proposta de redação deste ano.

Enem: 20 temas de atualidades que podem cair na prova em 2026
Educadores apontam assuntos com potencial para aparecer nas questões e na proposta de redação deste ano. / Foto: Assessoria de Imprensa da International Schools Partnership

Além dos conteúdos e disciplinas tradicionais, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também cobra dos candidatos conhecimentos sobre atualidades e assuntos que impactam a sociedade, sejam fatos acontecidos no Brasil ou no exterior. Por isso, para garantir uma boa nota na prova, é fundamental ficar por dentro do noticiário.

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"As atualidades não costumam aparecer no Enem como perguntas sobre datas, nomes ou acontecimentos isolados. Normalmente, elas são utilizadas como contexto para discutir temas mais amplos, relacionados à cidadania, meio ambiente, direitos humanos, ciência ou transformações sociais", explica João Gabriel Pelegrini, professor de Filosofia e Sociologia do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas (SP).

Segundo Pelegrini, o exame valoriza a capacidade do estudante de relacionar fatos recentes a conteúdos trabalhados ao longo da educação básica. "Uma notícia sobre imigração, por exemplo, pode servir de base para uma questão sobre globalização; enquanto um evento climático extremo pode ser associado a conceitos de geografia, sustentabilidade e políticas públicas. É importante que o estudante compreenda que temas de diversas áreas são, em última instância, relevantes porque determinam o modo como vivemos em sociedade e o ENEM espera essa forma de compreensão dos estudantes."

Para acompanhar as atualidades de forma eficiente, o ideal é desenvolver o hábito de consumir informações de fontes confiáveis e diversificadas. “Não é necessário passar horas por dia lendo notícias. O mais importante é manter uma rotina consistente de acompanhamento dos principais acontecimentos e procurar entender suas causas e consequências”, orienta Henrique Barreto Andrade Dias, coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP).

Ele recomenda que os estudantes criem resumos temáticos e estabeleçam conexões entre os fatos e os conteúdos das disciplinas. “Quando o aluno relaciona uma notícia ao que aprende em sala de aula, a compreensão se torna muito mais profunda e duradoura.”

Além disso, o docente do BIS destaca que a construção de repertório sociocultural é fundamental para ampliar a visão de mundo dos estudantes. Segundo ele, ter vivências, participar de projetos sociais, acompanhar palestras, visitar exposições e se envolver em diferentes ações culturais e formativas são práticas que contribuem diretamente para a formação crítica dos alunos. “Essas experiências ajudam a enriquecer argumentos, ampliar referências e estabelecer relações mais consistentes entre os temas da atualidade e os conteúdos escolares”, destaca.

Na hora do exame, a principal recomendação é ler atentamente os textos de apoio e identificar qual habilidade está sendo avaliada. "Muitos candidatos erram uma questão por tentar responder apenas com base em conhecimentos prévios sobre o assunto, sem considerar as informações apresentadas no enunciado", alerta Paulo Rogério Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP).

Segundo Rodrigues, um dos principais diferenciais do Enem é justamente a forma como os conteúdos são contextualizados. "As questões exigem interpretação, análise crítica e capacidade de estabelecer relações entre diferentes áreas do conhecimento. Mesmo quando o tema é conhecido, é fundamental observar o recorte proposto pela banca, identificar as evidências presentes nos textos de apoio e eliminar alternativas que apresentem generalizações, preconceitos ou conclusões incompatíveis com as informações fornecidas."

O docente da Aubrick também destaca que o estudante não precisa ser especialista em todos os acontecimentos recentes. "O mais importante é desenvolver repertório, acompanhar diferentes fontes de informação e compreender como esses acontecimentos dialogam com questões sociais, econômicas, ambientais, políticas e culturais. O Enem costuma privilegiar a capacidade de reflexão muito mais do que a simples memorização de fatos", diz.

Além das questões objetivas, acompanhar as atualidades também pode fazer diferença no desempenho da redação. "Ter repertório atualizado ajuda o estudante a construir argumentos mais consistentes e demonstrar domínio sobre problemas contemporâneos que afetam a sociedade", afirma Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville - EIA, de Barueri (SP).

Segundo Rifaat, temas relacionados a tecnologia, saúde, educação, meio ambiente e direitos humanos frequentemente aparecem nos debates públicos e podem servir de referência para diferentes propostas de dissertação. "Quem acompanha as notícias com senso crítico amplia sua capacidade de contextualizar ideias, apresentar exemplos relevantes e propor soluções mais bem fundamentadas."

Confira alguns temas que podem aparecer na edição de 2026 do Enem

Os educadores da Aubrick, BIS, EIA e Progresso listam, a seguir, quais assuntos podem ser abordados na prova deste ano. A lista foi elaborada com base em acontecimentos ocorridos até o primeiro semestre do ano, período que costuma ser considerado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) na confecção das questões das provas, tradicionalmente aplicadas em novembro de cada ano.

MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

El Niño confirmado como muito forte em 2026: a confirmação do fenômeno climático intenso do El Niño reacendeu debates sobre eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. O fenômeno impacta a agricultura, o abastecimento de água, a economia e questões sociais como o acesso à moradia segura, por exemplo, além de estar diretamente relacionado às discussões sobre mudanças climáticas.

2025 foi o terceiro ano mais quente da história: o registro de mais um ano entre os mais quentes já medidos reforça os alertas da comunidade científica sobre o aquecimento global. O tema envolve impactos ambientais, sociais e econômicos, além dos desafios para a adaptação das cidades e da produção de alimentos.

Terras raras e a disputa por recursos estratégicos: embora pouco conhecidas pelo público, as chamadas terras raras são minerais essenciais para a fabricação de celulares, baterias, veículos elétricos, painéis solares e equipamentos de alta tecnologia. A crescente demanda por esses recursos tem ampliado a competição entre países pela exploração e controle de reservas, tornando o tema estratégico para debates sobre transição energética, desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade e geopolítica.

GEOPOLÍTICA E RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Política de imigração americana e a atuação do ICE: as medidas de controle migratório adotadas pelos Estados Unidos voltaram ao centro do debate internacional. O assunto permite discutir direitos humanos, deslocamentos populacionais, desigualdades econômicas e os desafios enfrentados por imigrantes em todo o mundo.

Guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel: as tensões entre os países reacenderam preocupações sobre estabilidade geopolítica e segurança internacional. O conflito permite abordar relações diplomáticas, disputas estratégicas e impactos globais na economia e na energia.

Captura de Nicolás Maduro pelos EUA: a influência americana na Venezuela ampliou discussões sobre soberania nacional, diplomacia e relações internacionais. O caso também levanta reflexões sobre democracia, sanções econômicas e geopolítica regional.

Disputa geopolítica entre Estados Unidos e China: rivalidade das nações continua moldando a economia e a política internacional, envolvendo embates comerciais, avanços tecnológicos, influência diplomática e questões de segurança. A competição entre as duas maiores potências do mundo tem impactos diretos sobre mercados, cadeias produtivas e relações entre países, tornando-se um tema relevante para discutir globalização, geopolítica e a reorganização da ordem mundial no século XXI.

Disputas religiosas e conflitos na sociedade contemporânea: as disputas religiosas continuam influenciando conflitos e tensões em diferentes regiões do mundo, seja por divergências históricas, questões territoriais ou disputas de poder político. O tema permite refletir sobre liberdade de crença, intolerância religiosa, diversidade cultural e os desafios da convivência entre diferentes grupos em sociedades cada vez mais plurais e conectadas.

SOCIEDADE, DIREITOS HUMANOS E COMPORTAMENTO

Queda de patrocínio na Parada do Orgulho de SP e agenda anti-woke: o recuo de algumas empresas em ações ligadas à diversidade gerou debates sobre responsabilidade social corporativa e mudanças culturais. O tema dialoga com inclusão, direitos civis, liberdade de expressão e participação das empresas em pautas sociais.

Aumento dos casos de feminicídio e projetos de lei contra a misoginia: o avanço das discussões sobre violência de gênero reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. O tema envolve direitos humanos, igualdade de gênero, segurança pública e educação para o combate à violência.

Novo ECA Digital: as discussões sobre proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual refletem preocupações com privacidade, segurança e uso das redes sociais. O assunto conecta cidadania digital, educação e direitos da infância.

Os impactos das disputas de valores na juventude: pesquisas recentes apontam mudanças no posicionamento político de parte da juventude em diferentes países. O fenômeno abre espaço para discussões sobre comportamento social, formação de valores, participação política e influência das redes sociais.

TRABALHO, ECONOMIA E TECNOLOGIA

Fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil: o debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou força no País, mobilizando trabalhadores, empresas e a classe política. A discussão envolve qualidade de vida, saúde mental, produtividade e a modificação dos direitos trabalhistas.

Inteligência artificial, profissões e futuro do trabalho: os investimentos em inteligência artificial aceleraram transformações no mercado de trabalho e levantaram questionamentos sobre automação, mão de obra, empregabilidade e substituição de trabalhadores por máquinas. O tema também envolve ética digital, inovação tecnológica, novas formas de trabalho e qualificação profissional.

O primeiro trilionário do mundo: a fortuna sem precedentes do empresário Elon Musk reacendeu debates sobre concentração de riqueza e desigualdade econômica. O tema permite analisar os impactos do capitalismo, das grandes empresas de tecnologia e da distribuição de renda.

Regulação trabalhista e o trabalho por aplicativos: o crescimento das plataformas digitais ampliou o debate sobre direitos e deveres de trabalhadores e empresas. O tema envolve relações de trabalho, proteção social, inovação tecnológica e novas formas de emprego.

CIÊNCIA, SAÚDE E INOVAÇÃO

Vacinação no Brasil, dengue e movimentos antivacina: os desafios enfrentados pelas campanhas de imunização reacenderam debates sobre saúde pública e combate à desinformação. O tema destaca o perigo das fake news, a importância da ciência, das políticas de prevenção e da confiança da população nas vacinas.

A ciência brasileira e a polilaminina: a descoberta da proteína trouxe novos avanços para os estudos sobre regeneração de tecidos e tratamentos de doenças neuromusculares. Os resultados reforçam a importância da pesquisa científica para o desenvolvimento de terapias inovadoras e colocam o Brasil em destaque no cenário internacional. O tema permite discutir investimento em pesquisa, inovação tecnológica e o papel da ciência na melhoria da qualidade de vida da população.
 

Retorno do homem à Lua: a missão Artemis marca uma nova etapa da exploração espacial e pode levar seres humanos novamente à superfície lunar após mais de meio século. O projeto envolve avanços tecnológicos, cooperação internacional e produção de conhecimento científico.
 

ESPORTE, CULTURA E GLOBALIZAÇÃO
 

Copa do Mundo pela primeira vez em três países: a edição de 2026, realizada simultaneamente por Canadá, Estados Unidos e México, é um marco na história da competição. O evento evidencia os processos de globalização, cooperação internacional e os impactos econômicos e culturais do esporte.
 

Os especialistas
 

Henrique Barreto Andrade Dias é licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
 

João Gabriel Pelegrini é professor e pesquisador na área de Sociologia há mais de uma década é Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (2023); Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (2017) e graduado Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2011). Em sua pesquisa, tem se dedicado aos seguintes temas: o desenvolvimento da teoria social clássica ao ser revisitada por problemas sociológicos contemporâneos; a análise das determinações da desigualdade social e das relações de trabalho, sobretudo no que se refere a introdução das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na mediação de processos de trabalho, as novas formas de gestão e organização do trabalho.
 

Paulo Rogerio Rodrigues é psicólogo, licenciado em Letras (Português e Inglês) e coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick. Possui ampla trajetória na Educação Básica, com atuação voltada à gestão pedagógica e educacional, da Educação Infantil aos anos finais do Ensino Fundamental II. É pós-graduado com MBA em Gestão Escolar e possui especializações em Educação Antirracista, Bilinguismo e Neuropsicologia, áreas que fundamentam sua prática na formação integral dos estudantes e no desenvolvimento de equipes educacionais.