Associação em MS prevê recuperação gradual do consumo após encerramento de apostas online.
O dinheiro que antes era destinado às apostas online pode voltar aos carrinhos de supermercado, mas o alto endividamento das famílias deve retardar essa recuperação. A avaliação é da Amas (Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados), que considera o fim das bets uma oportunidade para recuperar parte dos recursos que deixavam de ser utilizados em despesas básicas, como a alimentação.
A Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados avalia que o fim das bets pode devolver ao comércio parte do dinheiro antes gasto em apostas, mas o alto endividamento das famílias deve tornar a recuperação lenta e gradual. O Sebrae e a rede Assai também veem sinais de melhora no consumo. Em 2025, brasileiros apostaram 65 bilhões de reais. A Medida Provisória nº 1.394 proibiu apostas online de quota fixa, e as plataformas deixaram de funcionar em 6 de outubro.
Para a entidade, as apostas comprometiam uma parcela do orçamento doméstico que poderia ser destinada à compra de produtos essenciais. Com a proibição das plataformas, a expectativa é de que esses valores retornem gradualmente ao comércio, principalmente aos supermercados.
"Esperamos que esses valores retornem aos supermercados de forma gradativa, mesmo porque há um nível de endividamento muito alto da população", pondera nota da entidade, que ainda destaca que o movimento deve ser lento e não imediato.
Outro ponto levantado pela AMAS é que, caso a proibição se mantenha, "as famílias passarão a utilizar os valores que antes eram destinados às apostas nos supermercados, principalmente”.
A avaliação da entidade sul-mato-grossense acompanha uma percepção nacional. Na semana passada, o presidente da rede atacadista Assaí, Belmiro Gomes, apresentou relatório que aponta sinais iniciais de melhora no consumo durante o quarto trimestre, principalmente em cidades do interior e bairros de menor renda.
O levantamento considerou que as restrições às apostas online podem estar contribuindo para aliviar o orçamento das famílias e favorecer a compra de alimentos. A avaliação, contudo, ainda não representa uma recuperação consolidada das vendas.
O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) faz a mesma previsão. O presidente nacional da entidade, Rodrigo Soares, já comentou que o capital antes usado nessas plataformas vai voltar para as mãos dos consumidores, reaquecendo o varejo. Somente em 2025, as bets somaram R$ 65 bilhões em apostas dos brasileiros.
Proibição – As bets foram proibidas em todo o território nacional por meio da Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026. A determinação alcança apostas esportivas e jogos online de quota fixa, inclusive aqueles oferecidos por empresas sediadas no exterior.
Desde a publicação da medida, as plataformas ficaram impedidas de receber novos depósitos. O cronograma estabeleceu que os sites e aplicativos deveriam deixar de funcionar em 6 de outubro.
Os apostadores tiveram até 5 de outubro para retirar voluntariamente os saldos disponíveis. Para os valores não resgatados, a legislação estabeleceu procedimentos de devolução pelas instituições financeiras, com participação da Caixa Econômica Federal nos casos de dificuldades operacionais.