Fertilizantes e portos podem sentir efeitos do clima.
O agronegócio brasileiro inicia o segundo semestre de 2026 em estado de atenção após a confirmação oficial da National Oceanic and Atmospheric Administration de que há 63% de probabilidade de o fenômeno El Niño atingir intensidade forte ou muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O período coincide com uma fase considerada decisiva para o plantio e o desenvolvimento das principais culturas de verão, como soja e milho. A expectativa é de que os reflexos não se limitem às lavouras, alcançando também a logística e a infraestrutura de armazenagem em toda a cadeia produtiva.
Segundo a avaliação, alterações no regime de chuvas tendem a desorganizar o calendário agrícola e, consequentemente, o fluxo de insumos, a movimentação portuária e a demanda por espaços de armazenagem. O cenário inclui riscos de enchentes na Região Sul, que podem isolar áreas produtoras e elevar os custos do frete, além da redução do nível dos rios da bacia amazônica, comprometendo o transporte hidroviário utilizado para o escoamento da produção destinada aos portos de exportação. "O El Niño impacta a lavoura e reorganiza toda a logística do agronegócio. Quando o escoamento para e os insumos precisam ser estocados com urgência, a procura por soluções flexíveis de armazenagem cresce de forma imediata", afirma Sergio Gallucci, diretor Comercial e de Marketing da Tópico.
A cadeia de fertilizantes é apontada como um dos segmentos mais sensíveis a esse cenário. Como um dos maiores importadores mundiais do insumo, o Brasil demanda estruturas de armazenagem em um mercado que, segundo a empresa, cresce cerca de 15% ao ano. Mudanças climáticas que afetam o plantio podem ampliar esse movimento, seja pela formação antecipada de estoques, seja pela necessidade de acomodar cargas que não conseguem ser distribuídas dentro do cronograma previsto.
De acordo com a Tópico, cerca de 70% das estruturas voltadas à cadeia logística estão instaladas em portos e áreas retroportuárias, locais por onde passam fertilizantes, açúcar e café antes de seguirem para o campo ou para o mercado. A empresa ressalta que períodos de chuva também podem comprometer a florada do café, afetar a concentração de sacarose na cana-de-açúcar e alterar o ritmo das colheitas, aumentando a necessidade de armazenagem em cooperativas, usinas e distribuidores.