Investigação no Supremo Tribunal Federal apura áudio de lobista sobre despesas com filho de Lula. Defesa alega que mensagens foram tiradas de contexto.
A investigação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) analisa as mensagens em que a lobista Roberta Luchsinger afirma que gastava cerca de R$ 100 mil por mês para pagar despesas relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O áudios que tratam desse assunto fazem parte das apurações da Polícia Federal (PF) sobre um suposta forma de atuar de uma organização que tinha como objetivo abrir portas e mediar acordos em instituições públicas federais, como a organização de tecnologia do Estado, a Dataprev.
O que a PF descobriu
Segundo o que foi apurado pela polícia, os áudios revelam diálogos que ocorreram em agosto de 2025 entre o empresário Cléber Ribas e a lobista. Na conversa, Roberta pergunta sobre a data dos pagamentos pendentes de "Freitas", um parceiro comercial. Ela ressaltou que precisava usar esses recursos para comprar bilhetes aéreos para Lulinha.
Reprodução/YoutubeLulinha é filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva
Posteriormente, a lobista relata que tinha custo mensal na casa dos R$ 100 mil para manter a estrutura do suposto esquema e que os atrasos e falta dos pagamentos ia interromper a aquisição das passagens.
Agora a PF realiza diligências para identificar quem é a pessoa citada como "Freitas" na conversa e ainda, comprovar se o valor levantado por Roberta é real. Segundo as autoridades, a apuração visa determinar se ocorreu o pagamento real de propinas ou se as declarações eram mera tratativas informais.
O que dizem as defesas
O advogado de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que não é possível validar a autenticidade das mensagens que foram vazadas na investigação. Destacou ainda que mesmo sendo comprovada que era realmente Roberta e Cleber falando, não é possível chegar a nenhuma conclusão, visto que os trechos podem ter sido tirados do contexto original.
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A defesa da lobista criticou os vazamentos de trechos das investigações que corre em segredo de justiça. Classificaram ainda a divulgação dos diálogos como "estranha" e argumentaram que a publicidade prejudica as investigações e questionam ainda, a identidade e os interesses de quem tornou público o conteúdo de forma seletiva.
Na mesma linha, a equipe jurídica do empresário Cléber Ribas criticou a publicidade fracionada da conversa. Por meio de nota, a defesa afirma que os vazamentos prejudicam o direito de defesa e que os contratos firmados pelas empresas de Ribas com órgãos públicos seguiram os critérios formais e procedimentos legais e descartam qualquer ilicitude.
Dataprev nega vínculos
Por meio de nota enviada ao iG, Dataprev esclarece que não faz parte do caso e não está inlcusa nas investigações do STF e PF. A empresa pública de tecnologia pontuou ainda que não firmou nenhum contrato com as empresas Blockbit e 3Structure IT, representadas pelo empresário Cléber Ribas de Oliveira.
A Dataprev pauta sua atuação pela transparência e pela colaboração com os órgãos de fiscalização, controle e investigação. Caso seja demandada, prestará às autoridades competentes todas as informações cabíveis, em conformidade com a legislação vigente. Nota oficial da Dataprev