Postagens nas redes sociais ampliam tensão política e reação jurídica.

Denúncias e exposição de servidores colocam vereadora sob risco judicial
A polêmica vereadora Isa Marcondes.

A atuação da vereadora Isa Marcondes (Republicanos ) voltou a gerar forte reação política e jurídica em Dourados. O estopim mais recente foi a divulgação, nas redes sociais, de vídeos e críticas envolvendo funcionários públicos em horário de descanso,

De acordo com reportagem publicada na quinta-feira (5) pelo Correio do Estado, profissionais de saúde da UPA Afrânio Martins protocolaram uma denúncia coletiva na Câmara Municipal contra a vereadora Isa Marcondes.

O documento, registrado no último dia 5 de fevereiro, acusa a parlamentar de invadir a área de repouso dos servidores e gravar imagens sem autorização, configurando assédio e violação de privacidade, segundo a publicação do jornal.

Em julho de 2025, a vereadora passou a responder a uma ação civil coletiva proposta pelo Sinmed-MS, que questiona a divulgação de vídeos gravados em unidades de saúde sem autorização. O processo pede decisão liminar para retirada do conteúdo das redes sociais e prevê multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento.

Na petição, o sindicato sustenta que a conduta da parlamentar extrapola o papel fiscalizador, ao expor e constranger médicos durante o exercício da atividade profissional, atribuindo à vereadora práticas que caracterizariam abuso de autoridade dentro de unidades de saúde do município.

A atitude passou a ser questionada por colegas de Legislativo e por integrantes da administração municipal, diante do risco de violação de direitos e exposição indevida de servidores.

A partir desses episódios, cresce nos bastidores a avaliação de que a parlamentar pode vir a ser processada judicialmente, caso fique caracterizado excesso na fiscalização ou ausência de fundamentos técnicos e legais nas denúncias divulgadas publicamente.

O comportamento da vereadora tem intrigado até aliados políticos. Parlamentares ouvidos reservadamente afirmam que Isa tem priorizado a visibilidade nas redes sociais, transformando denúncias em conteúdo digital, muitas vezes sem passar pelos canais institucionais da Câmara Municipal de Dourados.

O incômodo aumenta pelo fato de as críticas atingirem adversários e também integrantes do próprio grupo político, ampliando o desgaste interno e enfraquecendo articulações dentro da base aliada.

Bloqueada 

Nos últimos dias, Isa voltou a usar as redes para afirmar que teria sido bloqueada pelo prefeito Marçal Filho (PSDB), alegando que a medida teria ocorrido após críticas à situação da saúde pública do município. A declaração foi feita de forma unilateral e pública, sem confirmação oficial, o que aumentou a tensão entre Legislativo e Executivo, do qual a vereadora é integrante da base aliada. 

Aliados do prefeito avaliam que a estratégia adotada pela vereadora transfere o debate do campo institucional para o confronto pessoal, criando ruído político e dificultando qualquer tentativa de diálogo.

Críticas sem base técnica atingem Estado

Além da saúde municipal, Isa também passou a direcionar críticas à Sanesul, com acusações que, segundo técnicos do setor, não apresentam embasamento técnico consistente. As manifestações acabaram atingindo diretamente o governador Eduardo Riedel (PP), responsável pela política estadual de saneamento.

Interlocutores da área avaliam que o discurso genérico e a exposição pública de supostos problemas, sem dados ou laudos técnicos, fragilizam o papel fiscalizador e ampliam o risco jurídico.

Especialistas em direito público lembram que a fiscalização é prerrogativa do mandato parlamentar, mas não autoriza a exposição de servidores em momentos de descanso, nem acusações públicas sem comprovação. Fora do ambiente legislativo, especialmente nas redes sociais, a imunidade parlamentar não é absoluta.

O episódio expõe um clima de tensão na política douradense, onde a fiscalização legítima passa a ser questionada pela forma adotada — cada vez mais personalizada, midiática e distante do debate técnico e institucional.