O ministro Bruno Dantas renunciou nesta segunda-feira (31) à vaga que ocupa no Tribunal de Contas da União (TCU).
A decisão, segundo ele, foi tomada para que possa se dedicar a projetos pessoais e é válida a partir de 9 de setembro. O provável sucessor de Dantas é o senador Rodrigo Pacheco, do PSD de Minas.
Como mostrou o Bastidor, em dezembro o voto de Dantas foi determinante para o estabelecimento do modelo que favorece a JBS Terminais na disputa pelo Tecon 10, no Porto de Santos, considerado o maior arrendamento portuário já feito no Brasil, avaliado em 6,45 bilhões de reais.
O modelo difere do usado em disputas semelhantes no resto do mundo. O leilão foi suspenso pelo governo após pressão de concorrentes, em especial chineses.
Há duas semanas, o TCU liberou uma licitação vencida pela família do ministro, no valor de 1,06 bilhão de reais, para a exploração de uma área de 242 mil metros quadrados, no Porto de Santos. O ministro teve papel fundamental no estabelecimento das regras do leilão, quando sua família já disputava a administração do espaço.
Dantas chegou ao TCU em 2014, com o apoio do senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, e poderia ficar até 2053, quando completará 75 anos. Presidiu o colegiado de 2022 a 2024, período em que criou a SecexConsenso, uma câmara de consenso para negociar controvérsias em contratos de concessões públicas. Em julho de 2024, a SecexConsenso celebrou um acordo entre Oi e Anatel, que resultou em prejuízo de R$ 17 bilhões para o Tesouro Nacional.
A vaga de Dantas é da cota do Senado, por isso é dada como certa sua substituição por Rodrigo Pacheco. O senador desistiu de ser candidato ao governo de Minas Gerais no mês passado. Também tentou ser indicado ministro do Supremo Tribunal Federal, sem sucesso.