Comissão terá mais prazo para deixar relatório final mais 'robusto'

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga diversas irregularidades do Consórcio Guaicurus adiou a apresentação do relatório final após encontrar novos problemas envolvendo o transporte público de Campo Grande.
A decisão foi tomada pela CPI após uma reunião que durou 4 horas nesta sexta-feira (29). A apresentação do relatório final estava marcada para a próxima terça-feira. No entanto, ainda não foi divulgada uma nova data. O prazo para encerramento dos trabalhos é 12 de setembro.
Conforme o presidente da comissão, vereador Dr. Lívio (União), o prazo é necessário para aprofundar o relatório final. “Existem apontamentos para detalhar melhor, coisas novas que apareceram e que não foram aventadas ainda nessa cidade”, explica, sem detalhar.
No entanto, o presidente da CPI deu ‘brecha’ de que essas novas descobertas tenham relação com a situação contábil do Consórcio Guaicurus. “Fatos novos a partir da análise da contabilidade, são fatos que precisam de mais detalhamento”, adiantou Lívio.
Já o presidente da Câmara, vereador Papy (PSDB) disse que houve pequenas divergências no grupo. “Ficou combinado que incluiríamos a opinião dos membros no relatório. A relatora [Ana Portela] se comprometeu com isso e vai cumprir”, afirmou categoricamente.
Relatório da CPI do Consórcio: empresas inflariam despesas para esconder lucro
Então, Papy disse que o prazo maior seria para que “outras ideias possam ser adicionadas no relatório final”.
Ao ser questionado sobre o que esperar desse relatório, Papy tenta amenizar, dizendo que não se agrada da ideia de medidas drásticas. “Pode trazer prejuízo para a população que pega o ônibus, não gosto muito de qualquer coisa muito drástica, mas é uma opinião pessoal minha”, avaliou.
Recentemente, Papy já declarou que é a favor de dar mais dinheiro aos empresários do ônibus como solução para melhorar o transporte público da Capital.
Uma das reuniões da CPI (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
A Câmara Municipal de Campo Grande tem histórico de ‘passar pano’ para o Consórcio Guaicurus, com sete CPIs que terminaram todas em ‘pizza’, ou seja, sem resultado prático na vida da população.
Uma CPI pode ter vários encaminhamentos. O relatório final pode, por exemplo, indiciar pessoas, sugerir exonerações, encaminhar crimes ou irregularidades ao Ministério Público, que pode ingressar com ação judicial. Há possibilidade de recomendações de medidas administrativas ou propostas de leis.
Além de Lívio, a CPI tem a vereadora Ana Portela (PL) como relatora e os vereadores Junior Coringa (MDB), Luíza Ribeiro (PT) e Maicon Nogueira (PP) como membros.
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CPI do Consórcio Guaicurus
Desde abril, gestores do Consórcio Guaicurus, membros da administração pública ligados à regulação e fiscalização do contrato bilionário, ex-funcionários e usuários dos ônibus que circulam na Capital foram ouvidos. Assim, a CPI coletou uma série de elementos que podem indicar irregularidades no serviço prestado ao cidadão campo-grandense.
As denúncias miram especialmente a precariedade da frota, que, além de provocar transtorno na rotina dos usuários, compromete a qualidade do transporte. Além disso, não retribui os lucros milionários obtidos pelo Consórcio Guaicurus — o qual alega estar em déficit financeiro.
Assim, para apurar as ‘desculpas’ dos empresários, a CPI contratou assessorias contábeis e jurídicas, no valor de R$ 140 mil, para devassa nas contas da companhia, que já passou por pente-fino em outras ocasiões e volta a ser alvo de perícia contábil, a fim de reconhecer se, de fato, está em desconformidade ao que entrega na prestação do serviço de transporte coletivo da Capital.