Numa fala contundente e esclarecedora, o deputado estadual João Henrique Catan (NOVO) usou hoje (12.03) a tribuna da Assembleia Legislativa
Numa fala contundente e esclarecedora, o deputado estadual João Henrique Catan (NOVO) usou hoje (12.03) a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para fazer uma grave denúncia sobre o agonizante sistema de saúde do estado, destacando um episódio de descaso e arrogância do secretário de Saúde do Estado, Maurício Simões Correia, com um cidadão doente da cidade de Bonito. Em um áudio chocante, o deputado revelou a resposta dosecretário a este senhor, de 54 anos, trabalhador pobre com dores intensas nos rins, que aguardava vaga para cirurgia no Hospital Regional desde setembro de 2025: “Meu bem ou, eu sou secretário de saúde, eu não sou da assistência social e nem do agendamento”, disse a autoridade.
João Henrique enfatizou a indignação com o tratamento dado a pessoas vulneráveis: “Eu, como parlamentar, nunca vou admitir que uma pessoa da minha equipe distrate uma pessoa humilde, com dor nos rins ou o que quer que seja, que suplica para que o Estado a atenda e resolva um problema que também é um problema meu, que é do Estado”. O parlamentar comparou o episódio ao que faria se fosse seu colaborador: “Se o senhor fosse do meu gabinete, o senhor estaria exonerado nesse momento secretário!”, criticando a lentidão do governador em decisões semelhantes.
FALHA NO ATENDIMENTO
Na mesma denúncia, o deputado João Henrique mostrou que, enquanto o Hospital Regional de Campo Grande recebe cerca de R$ 60 milhões mensais do governo estadual, equivalentes a um índice de 15,52 tabelas SUS por produção de R$ 3 milhões em atendimentos, pacientes como o senhor Roberto são negligenciados sem agendamento de cirurgia. “O que acontece com esses 60 milhões por mês que são enviados para o Hospital Regional? Será que é um buraco negro?”, apontando indícios de irregularidades na PPP do hospital, suspensa pelo conselheiro Sérgio de Paula por possíveis desvios.
Que a saúde de Mato Grosso do Sul agoniza é algo revelado diariamente pelas redes sociais do parlamentar, que exige transparência: “Senhor Secretário de Saúde, explica a maneira que o senhor tem gasto os recursos da saúde do estado, o senhor tem à sua disposição R$ 1,9 bilhão de reais. Exijo imediatamente que o senhor entregue todos os documentos”.
CASSEMS
João Henrique estendeu as críticas à Cassems, caixa de assistência dos servidores estaduais, que recebe R$ 500 milhões anuais em subvenções públicas, majoritariamente do Estado, mas também falha no atendimento aos servidores: “A Cassems recebe gratuitamente 500 milhões [de reais] por ano dos patrocinadores que são entes públicos, enquanto as pessoas agonizam”. Recentemente, o TCE-MS determinou fiscalização rigorosa desses recursos após denúncias do deputado, confirmando sua natureza pública.
SANTA CASA É MASSACRADA
Na mesma fala na tribuna, o deputado mostrou o contraste de valores quando se fala em Santa Casa de Misericórdia, referência em atendimento no Estado, mas que sofre, ano após ano, com a falta de recursos. Em reunião esta semana com a direção do hospital, o deputado teve acesso a números assustadores. A Santa Casa de Campo Grande, que assume 55% das internações de alta complexidade no Estado e presta serviço de excelência comprovada em dados abertos, recebe apenas R$ 33 milhões mensais, com índice de 2,7 tabelas SUS – um quarto do Hospital Regional. Após visita de 5 horas à instituição, João Henrique afirmou: “O que a Santa Casa me entregou de documentos, o Estado de Mato Grosso do Sul não nos entrega e não vai ter coragem de entregar”. E defendeu: “A Santa Casa quer de 2,7 passar para 3,7. Se o governador injetar o recurso que ele coloca no regional, o governo não consegue pagar o serviço que a Santa Casa é capaz de produzir”.
O deputado concluiu com um apelo por justiça: “Não há justiça com a saúde e com o pobre hoje no Mato Grosso do Sul”. João Henrique promete fiscalizações e ações para resgatar a transparência e eficiência no setor.