Com ares-condicionados e ventiladores ligados durante a noite, uso de energia atinge recorde e geradores em Campo Grande, Dourados e Itaporã não suportam a demanda.

Calor aumenta consumo e causa estragos no sistema de energia
Calor extremo causou aumento nas compras de ares-condicionados e ventiladores em Campo Grande. / Foto: GERSON OLIVEIRA

Os recordes de temperatura máxima em Mato Grosso do Sul e, consequentemente, o aumento no consumo de energia elétrica, em razão do uso de ares-condicionados e ventiladores, causaram uma pane no sistema e 16 bairros de vários municípios de Mato Grosso do Sul ficaram sem energia. 

A Energisa MS explica que o alto consumo de energia elétrica, causado pela maior demanda em razão do calor, resultou em um recorde de potência energética utilizada. De acordo com a Energisa, por volta das 22h desta segunda-feira, foram atingidos 1.395 megawatts de consumo, um aumento de 11% em relação ao valor atingido no dia anterior, quando foi registrado o uso de 1.248 MW em Campo Grande.

“Na maioria dos casos, o que a gente identifica são situações de sobrecarga, ou seja, o sistema de distribuição de energia, que está projetado, inclusive, com uma margem de segurança, por algum motivo foi extrapolado. Os dispositivos e equipamentos de proteção simplesmente entram em ação e desligam, por segurança, aquela rede, e, aí, só a chegada de um técnico, um eletricista da Energisa, que vai conseguir identificar o que de fato aconteceu”, detalha Rodolfo Acialdi Pinheiro, gerente de Planejamento de Orçamento da Energisa MS.

O sistema de abastecimento de Campo Grande e algumas cidades do interior não conseguiu suprir a demanda, deixando alguns bairros parcialmente sem energia nesta segunda-feira. 

“O que a gente observou aqui nos últimos dias foi um efeito em escala de vários consumidores ao mesmo tempo utilizando mais equipamentos do que os que estavam previamente cadastrados. E, aí, naqueles pontos a gente teve uma sobrecarga no sistema”, explica.

Em Campo Grande, foram 11 bairros afetados: Parque Residencial Rita Vieira; Pioneiros; Monte Castelo; Vila Vilas Boas; Jardim Los Angeles; Universitário; Jardim Parati; Jardim Centenário; Santo Amaro; Jardim TV Morena; e Carandá Bosque.

Em Dourados, três bairros ficaram sem energia: Parque Alvorada; Cachoeirinha; e Água Boa. A última cidade afetada foi Itaporã, que registrou queda de energia na Vila Pioneira e na Vila Cristo Rei.

“Ainda tem algumas ocorrências em andamento, e o que temos observado nos últimos dias é que são ocorrências pontuais. A gente acha que é o bairro todo que está sem energia, mas, às vezes, é uma determinada rua, uma quadra, é uma parte pequena ali que está sem energia na maioria dos casos, não em todos”, explica Pinheiro.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), até o dia 29, a onda de calor causará aumento de 5,8% no consumo de energia elétrica em relação ao mesmo período do ano passado, representando 75,2 mil MW consumidos a mais, em média. 

“Nossa expectativa é de que, talvez, nos próximos dois dias a gente tenha mais um recorde. Nós já registramos recorde no dia 21 de setembro. O recorde anterior tinha sido em março deste ano, e o outro, em outubro do ano passado. Observa-se que em setembro já tem dois recordes em menos de cinco dias, ou seja, nós estamos atravessando um período sensível, de muito calor e muito consumo de energia”, conclui o gerente de Planejamento de Orçamento da Energisa MS.

Recorde de calor
De acordo com dados do Centro de Monitoramento de Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), 12 municípios registraram temperatura acima de 40ºC nesta terça-feira. 

Entre as cidades estão Água Clara (41,9ºC), Bataguassu (40ºC), Corumbá (41ºC), Coxim (40,5ºC), Fátima do Sul (40,3ºC), Miranda (40,2ºC), Nova Andradina (40,2ºC), Paranaíba (41,1ºC), Pedro Gomes (40,6ºC), Porto Murtinho (42,6ºC), Santa Rita do Pardo (40ºC) e Três Lagoas (41,4ºC).

Nos demais municípios do Estado, a menor temperatura registrada pelo Cemtec-MS foi de 36,8ºC, em Campo Grande, Chapadão do Sul e Costa Rica. Nas demais cidades, a máxima registrada variou entre 37ºC e 39ºC.

Além disso, nesta segunda-feira, MS bateu novo recorde de temperatura máxima neste ano, com 42,9ºC registrados em Porto Murtinho. Aliado às altas temperaturas, ainda houve quebra de recorde de umidade relativa do ar mínima, apenas 9% em Rio Brilhante. 

DEMANDA
O eletricista Marcos Toledo realiza instalação de ares-condicionados em Campo Grande e afirma que, em razão da onda de calor que atinge a Capital, recebeu mais pedidos de instalação. 

“Desde que começou esse calorão, muita gente tem me procurado para instalar ar-condicionado em casa, em apartamento. Está todo mundo correndo atrás de um jeito de se refrescar”.  Toledo relata ter aumentado seu horário de trabalho para atender à demanda e diz que faz diversas instalações por dia na Capital.

“Então, eu tenho recebido tanta gente procurando instalador de ar-condicionado que estou até fazendo instalação uma seguida da outra e fico bem mais tempo no serviço do que ficava antes. Todo dia alguém me manda mensagem”. 

A empresa R. A. Sistema relata que, nos últimos dias, os atendimentos realizados para instalação de ar-condicionado triplicaram.

“Triplicaram os atendimentos e, infelizmente, não temos como atender todos. Até porque o pessoal liga querendo que já vamos no ato fazer o atendimento e temos de trabalhar mais para atender o máximo de clientes possível”.

O engenheiro Paulo Rogério relata que notou um aumento do valor do serviço das empresas de instalação de ar-condicionado. Ele detalha que meses atrás realizou a instalação de um ar-condicionado em sua casa e, agora, ao fazer um novo orçamento, percebeu o aumento. 

“Tem uns três meses que comprei um ar-condicionado novo aqui para casa, e a instalação ficou em uns R$ 280. Agora, comprei outro equipamento para instalar na sala, fiz o orçamento com a mesma pessoa e ficou em R$ 400. Então, parece que eles estão aproveitando esse calor porque sabe que o pessoal vai comprar mais ares-condicionados”.

Energia solar
A situação poderia ser pior, se não fosse a energia solar. Durante o período de incidência de luz solar, 115 mil consumidores usam energia de placas fotovoltaicas, o que significa pouco mais de 10% dos 1,1 milhão de clientes da Energisa MS nos 74 municípios do Estado. À noite, quando a energia solar não funciona, essa demanda passa a consumir energia distribuída pela rede, resultando em sobrecarga no período noturno.