Os analistas da S&P Global Energy, William O'Neil, Brian Stetter e Debnil Chowdhury, consideram que uma eventual proibição de Washington perturbaria ainda mais os mercados globais de combustíveis.
Países da América Latina, sobretudo o Brasil, sentirão mais fortemente o impacto da proposta do presidente norte-americano Donald Trump de proibir as exportações de diesel dos EUA, enquanto o conflito com o Irã continua restringindo a oferta global deste produto, opinaram especialistas para uma mídia norte-americana.
"Devido à falta de capacidade de refinação disponível na América Latina e à escassez de alternativas claras para substituir esses barris importados, a perda repentina e total do diesel dos EUA provavelmente levaria a aumentos acentuados de preços e custos mais altos para consumidores e empresas na região", escreveram estes especialistas em uma nota enviada a veículo de imprensa.
Segundo os dados divulgados pelas empresas de análise Kpler e Vortexa Ltd, hoje em dia, o Brasil é uma potência agrícola e o maior comprador de diesel e combustíveis dos Estados Unidos. Este país acarreta o risco de ser mais afetado pela iniciativa de Trump, e mais depois do início da época de plantio e demais atividades de colheita, que elevam a demanda por diesel para tratores e caminhões.
O Chile e o México também sofreriam danos após uma possível proibição de exportação do diesel norte-americano, já que usam esta commodity nos equipamentos de mineração.
Os impactos também seriam sentidos na Europa, especialmente no Reino Unido e nos Países Baixos, que são cada vez mais dependentes de fornecimentos norte-americanos e tentam compensar a perda de embarques procedentes do Oriente Médio, bem como a redução dos fluxos russos para a Turquia.
Washington começou a considerar a proposta à medida que o preço de varejo do diesel nos EUA subiu para um recorde de mais de US$ 6,50 por galão, alimentando temores de inflação e pedidos para limitar as exportações. Segundo uma mídia norte-americana, o governo Trump está analisando suspender as exportações por 90 dias.
O papel dos EUA no mercado global de diesel cresceu depois que o tráfego de petroleiros pelo estreito de Ormuz ficou paralisado na primavera. Neste verão, as exportações americanas subiram para um máximo histórico de cerca de 2 milhões de barris por dia.