Exportações de carne bovina recuam em setembro.

Boi: altas da arroba e a mudança nos destinos da carne
Exportações de carne bovina recuam em setembro. / Foto: Divulgação

O boi gordo subiu em São Paulo nesta quarta-feira (7), acompanhado pela valorização das fêmeas e do “boi China”. Segundo dados divulgados pelo informativo “Tem Boi na Linha”, a oferta reduzida e a necessidade de compras no mercado spot elevaram as referências, enquanto as exportações de carne bovina in natura recuaram em volume em setembro.

A cotação do boi gordo e da vaca gorda avançou R$ 2/@, enquanto a novilha e o “boi China” tiveram alta de R$ 3/@. Negócios pontuais chegaram a R$ 380/@, mas sem volume suficiente para estabelecer uma nova referência.

Frigoríficos que não haviam comprado boiadas antecipadamente e precisaram recorrer ao mercado spot para cumprir as escalas não encontraram disponibilidade para compras abaixo da referência. Segundo dados divulgados pelo informativo “Tem Boi na Linha”, a oferta de boiadas esteve reduzida, favorecendo a alta das cotações.

Apesar dos relatos de negócios pontuais a R$ 380/@, esses valores não tiveram volume suficiente para se tornarem referência no mercado. As escalas de abate atenderam, em média, a seis dias.

Em setembro, o Brasil exportou 195,2 mil toneladas de carne bovina in natura, com média diária de 9,3 mil toneladas. Segundo dados divulgados pelo informativo “Tem Boi na Linha”, o volume foi 35% menor que o registrado em setembro de 2025.

Por outro lado, o preço médio da tonelada chegou a US$ 6,3 mil, alta de 11,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Com 21 dias úteis de setembro de 2026 encerrados, o volume exportado ficou 119,4 mil toneladas abaixo do registrado nos 22 dias úteis de setembro de 2025.

Na comparação com agosto, a média diária de embarques recuou 0,3%, enquanto o preço médio avançou 1,9%.

Pelo segundo mês consecutivo, os Estados Unidos foram o principal destino da carne bovina brasileira. A China deixou de ocupar a liderança em agosto, quando os norte-americanos passaram a liderar os embarques.

Segundo dados divulgados pelo informativo “Tem Boi na Linha”, os Estados Unidos receberam 44,4 mil toneladas em setembro, gerando receita de US$ 263,5 milhões. O volume correspondeu a 22,8% das exportações brasileiras de carne bovina in natura no mês.

A China recebeu 10,9 mil toneladas, com receita de US$ 68,3 milhões, equivalente a 5,6% do total embarcado.

A diferença nas compras chinesas fica ainda mais evidente na comparação anual. Em setembro de 2025, a China havia adquirido 187,2 mil toneladas de carne bovina in natura do Brasil, com receita de US$ 1,05 bilhão.

Segundo dados divulgados pelo informativo “Tem Boi na Linha”, em setembro de 2026 o volume enviado ao país asiático foi 94,2% menor, enquanto a receita caiu 93,5%.

Em 29 de setembro, a China confirmou que o Brasil atingiu 100% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas prevista na salvaguarda. O volume excedente passou a pagar uma tarifa adicional de 55%.

Nos Estados Unidos, uma cota temporária de 300 mil toneladas de aparas magras entrou em vigor em 1º de setembro. Segundo dados divulgados pelo informativo “Tem Boi na Linha”, o volume está sujeito a imposto de US$ 44 por tonelada, em substituição à alíquota regular de 26,4%.

No acumulado de 2026, a China responde por 41,8% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil, enquanto os Estados Unidos representam 13,5%. O cenário mostra mudanças na participação dos principais mercados compradores, ao mesmo tempo em que a menor oferta de boiadas sustenta as cotações no mercado interno.