Israel também bombardeava regularmente a Síria quando Assad estava no poder, com o objetivo de reduzir a influência iraniana no país.
Oito ataques aéreos israelenses atingiram uma base aérea no noroeste da Síria na madrugada desta terça-feira, informou a mídia estatal síria, em um episódio que o enviado dos Estados Unidos para a região classificou como uma “escalada desnecessária”.
A emissora estatal síria Ekhbariya, citando uma fonte militar, informou que o ataque atingiu a pista e as instalações de armazenamento da base de Abu al-Duhur, enquanto outra fonte militar e um civil que mora próximo à base afirmaram que não houve vítimas. As Forças Armadas de Israel se recusaram a comentar os ataques, e o Ministério da Defesa da Síria não se pronunciou.
– Estamos profundamente preocupados com o fato de que os ataques aéreos israelenses confirmados contra a Base Aérea de Abu al-Duhur constituam uma escalada desnecessária que não contribui para a estabilidade regional – afirmou o embaixador Tom Barrack, enviado especial presidencial dos EUA para a Síria e o Iraque, no X.
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– Os Estados Unidos continuam acreditando que a moderação e o diálogo oferecem o caminho mais construtivo. Encorajamos todas as partes a priorizarem o diálogo racional em vez de novos incidentes militares – acrescentou ele.
A base, a cerca de 70km da fronteira com a Turquia, está fora de serviço como aeródromo militar dedicado desde 2013 e mudou de mãos várias vezes durante os 14 anos de guerra civil na Síria entre forças leais ao ex-presidente Bashar al-Assad e facções da oposição.
Desde que Assad foi deposto no final de 2024, a base tem sido usada como centro de treinamento para o novo Exército da Síria, segundo a fonte militar.
Nos meses após a derrubada de Assad, Israel conquistou território no sudoeste da Síria e atacou grande parte das armas pesadas e dos equipamentos das Forças Armadas sírias, enquanto autoridades israelenses expressavam preocupação com o histórico militante islâmico dos novos governantes da Síria.
Israel também bombardeava regularmente a Síria quando Assad estava no poder, com o objetivo de reduzir a influência iraniana no país.
Ataques
Os ataques ocorrem em meio a um aumento das tensões de segurança entre Israel e a Turquia e a uma retórica cada vez mais acirrada entre os dois países em relação à Síria.
Ancara acusou Israel de tentar desestabilizar a Síria e minar seu novo governo. O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, afirmou em 6 de agosto que Israel continuava a ameaçar a segurança da Síria por meio de seus repetidos ataques, pedindo pressão internacional sobre Israel para que respeite a integridade territorial da Síria.
A Turquia, que possui o segundo maior Exército da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e recentemente assinou um pacto de defesa com o Paquistão e a Arábia Saudita semelhante ao da Otan, tornou-se uma das principais aliadas do presidente sírio Ahmed al-Sharaa. O país vem treinando o Exército sírio, ajudando-o a reconstruir suas instituições estatais e infraestrutura, além de fornecer apoio militar e diplomático.
Não ficou claro de imediato se a Turquia estava envolvida na reforma da base, mas Ancara afirmou que estava ajudando Damasco em todo o país.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, por sua vez, emitiu advertências diretas ao presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, afirmando que Israel não permitiria medidas que fortalecessem as capacidades militares da Síria de forma a representar uma ameaça a Israel.
A Síria realizou exercícios aéreos no norte do país no início de agosto utilizando caças MiG-21 de fabricação russa, os primeiros exercícios desse tipo desde a derrubada de Assad.
A emissora pública israelense Kan informou, em 11 de agosto, que autoridades de segurança israelenses haviam detectado sinais de que a Síria estava acelerando os esforços para reconstruir sua Força Aérea, incluindo o recrutamento de novos pilotos, treinamento de voo e um primeiro exercício envolvendo caças.
A Kan citou uma fonte de segurança israelense afirmando que Israel estava acompanhando de perto os desdobramentos e havia compartilhado suas preocupações com os Estados Unidos.