Várias culturas estão sofrendo com isso.
A indústria de alimentos enfrenta um cenário mais desafiador diante da intensificação da volatilidade em importantes commodities agrícolas. Segundo análise da StoneX, os mercados de açúcar e cacau entraram em um novo ciclo de oscilações que pressiona custos e reduz a previsibilidade para fabricantes.
De acordo com a consultoria, fatores climáticos, macroeconômicos e mudanças estruturais nas cadeias produtivas têm ampliado a instabilidade, afetando setores como bebidas, confeitaria, lácteos, panificação e chocolates. No caso do açúcar, a dinâmica brasileira indica maior direcionamento das usinas para o etanol nas safras 2025/26 e 2026/27, impulsionado pela menor remuneração do adoçante e pela competitividade do biocombustível. Mesmo com moagem elevada, a produtividade limitada e o mix mais alcooleiro devem resultar em queda da produção, reduzindo a oferta e elevando o risco de repiques de preços.
Já o mercado de cacau segue sustentado por incertezas globais. A valorização do petróleo, o aumento dos custos logísticos e as tensões geopolíticas mantêm os preços pressionados. Ao mesmo tempo, o custo mais alto de energia afeta a demanda, especialmente na Europa, o que pode impactar o consumo e os volumes negociados.
Nesse ambiente, a avaliação é de que a volatilidade passou a ser regra, exigindo planejamento mais rigoroso. A adoção de estratégias estruturadas de compra e proteção de preços se torna essencial para reduzir riscos, preservar margens e manter a competitividade no setor.
“A volatilidade impacta as margens de forma imediata. Sem uma estratégia integrada de análise, planejamento e execução do hedge, a indústria fica exposta a oscilações que comprometem competitividade e orçamento”, afirmam s Ricardo Nogueira e Rafael Crestana, da consultoria.